A investigação aberta pela Câmara Municipal de Campo Grande para apurar falhas no transporte coletivo urbano ganhou força com a chegada de 141 denúncias enviadas por usuários até terça-feira (1º).
Os relatos, recebidos pelos canais oficiais da CPI, revelam uma série de problemas enfrentados pela população, com destaque para as dificuldades vividas por pessoas com deficiência no acesso e uso dos ônibus.
Entre as queixas, há denúncias sobre veículos em péssimo estado de conservação e rampas de acessibilidade que frequentemente não funcionam.
Um dos episódios citados envolve um cadeirante que teria se ferido após a rampa se desprender durante o uso. Também há reclamações sobre a falta de assentos reservados para deficientes visuais em micro-ônibus, o que reforça a percepção de negligência em relação à inclusão no transporte público.
Esses relatos confrontam diretamente os dados divulgados pela própria Prefeitura de Campo Grande no fim de 2024. No Relatório de Monitoramento dos Índices de Desempenho, com base em medições de outubro, a gestão classificou o sistema como exemplar: conforto avaliado como “excelente”, acessibilidade 100% operante e pontualidade beirando os 98%. Nenhum indicador oficial apontava falhas nos serviços.
Procurado, o Consórcio Guaicurus preferiu não comentar as denúncias, alegando que ainda não teve acesso ao conteúdo das reclamações recebidas pela CPI. Em nota, afirmou manter o compromisso com a melhoria do transporte e que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários assim que for formalmente notificado.
“O Consórcio Guaicurus informa que não irá se manifestar sobre as reclamações divulgadas pela CPI da Câmara Municipal, uma vez que ainda não teve acesso ao teor dessas queixas. Reiteramos nosso compromisso com o transporte coletivo e seguimos à disposição para prestar esclarecimentos quando devidamente notificados.”
O que diz a CPI
De acordo com a Câmara Municipal, os problemas mais citados nas denúncias envolvem ausência de linhas em determinadas regiões, superlotação nos horários de pico e condições precárias da frota operada pelo Consórcio Guaicurus.
A comissão já protocolou mais de 50 requerimentos, entre pedidos de informação e convocações de autoridades e representantes ligados ao setor. Ainda não há uma definição oficial sobre os nomes que serão chamados para depor nas próximas oitivas.