A senadora Tereza Cristina (PP) está articulando nos bastidores uma reaproximação entre duas figuras centrais da política sul-mato-grossense: a prefeita reeleita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil), que também já foi superintendente da Sudeco.
O movimento, segundo interlocutores da prefeitura, tem como pano de fundo um projeto mais amplo da senadora, que pretende lançar Rose como candidata ao Senado pelo Partido Progressista em 2026.
Apesar da movimentação em curso, o desafio de unir Adriane Lopes e Rose Modesto não é simples. As duas foram adversárias diretas nas eleições municipais de 2024, quando disputaram voto a voto a preferência do eleitorado campo-grandense.
Até poucos dias atrás, Rose ainda fazia críticas públicas à gestão da prefeita, o que evidencia o clima de tensão que ainda paira entre ambas. Superar esse histórico recente de embates será um dos principais obstáculos para a concretização da articulação idealizada por Tereza Cristina.
Segundo aliados próximos, Tereza Cristina tem promovido conversas com o objetivo de unir lideranças femininas do Estado em torno de um novo projeto político, até para seguir os passos das cúpulas das duas legendas, que estudam uma federação.
No último dia 18, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira confirmou que o partido aprovou dar sequência as tratativas para formar uma federação com o União Brasil.
A aposta é que, superadas as divergências eleitorais do último pleito municipal — no qual Adriane e Rose disputaram o comando da prefeitura da Capital —, as duas possam caminhar juntas em uma nova configuração de forças.
Na prática, a ideia da senadora é abrir espaço no PP para que Rose Modesto possa disputar uma cadeira no Senado, fortalecendo a sigla com nomes de peso e visibilidade nacional.
Para isso, Tereza também tem mantido diálogo com dirigentes do União Brasil, discutindo inclusive a possibilidade de uma futura federação ou até fusão entre os dois partidos, o que ampliaria as chances eleitorais e consolidaria um bloco político mais robusto.
Conhecimento de Bolsonaro
Tereza Cristina deve levar essa proposta ao conhecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cuja opinião ainda exerce forte influência sobre o eleitorado conservador.
Bolsonaro, por sua vez, já manifestou sua preferência por outro nome: a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), que desponta como pré-candidata ao Senado pelo partido do ex-presidente. O posicionamento do líder liberal poderá ser decisivo para os rumos da articulação liderada por Tereza.
Contra Azambuja
Caso a candidatura de Rose Modesto se concretize, ela deverá enfrentar nomes de peso na corrida pelo Senado, entre eles o ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PSDB.
Azambuja tem sinalizado interesse em disputar uma vaga ao Senado e ainda conta com forte influência no interior do Estado e no meio político regional.
A possível união entre Adriane e Rose, intermediada por Tereza Cristina, também seria um gesto estratégico com foco no futuro do PP em Mato Grosso do Sul, que já governa a Capital e busca ampliar sua presença nas principais instâncias legislativas.
Para isso, será necessário conciliar projetos, egos e interesses — tarefa que exigirá habilidade política da senadora, considerada uma das lideranças mais respeitadas do bloco de centro-direita no Congresso Nacional.
Nos próximos meses, o cenário deve ganhar novos contornos, à medida que as tratativas avancem e os partidos comecem a desenhar seus projetos para 2026.