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Política

PT insiste em ir para o sacrifício indicando Fábio Trad para o governo

Estratégia surge em meio à falta de alternativa eleitoral forte no partido em Mato Grosso do Sul.

Conjuntura Online
10/03/26 às 10h02
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O deputado federal Vander Loubet, presidente regional do PT. (Foto: Divulgação)

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Sem um nome considerado competitivo para enfrentar o governador Eduardo Riedel (PP) nas eleições de 2026, o PT insiste em apostar no nome do ex-deputado federal Fábio Trad como pré-candidato ao governo do Estado.

A estratégia foi confirmada pelo deputado federal Vander Loubet, presidente regional da legenda, durante entrevista ao podcast Política de Primeira, do portal Primeira Página, nesta terça-feira (10).

Na conversa, Vander detalhou os planos eleitorais do partido para 2026 e confirmou que Trad é hoje o principal nome do PT para a disputa ao governo estadual.

O parlamentar também reafirmou sua própria pré-candidatura ao Senado e mencionou a possibilidade de composição com a senadora Soraya Thronicke, na tentativa de ampliar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.

Segundo Vander, a filiação de Fábio Trad foi vista como um reforço político para o partido, embora inicialmente não houvesse compromisso formal de candidatura ao governo.

“O Fábio Trad tem todo o perfil de petista. Isso é um processo, e ele foi uma grande aquisição para o partido, caiu na graça da nossa militância. Quando ele veio, não tinha nenhuma obrigação de ser candidato a governador. Eu dei a minha palavra de que, se lá na frente ele quisesse ser candidato a deputado federal, ele poderia ser. A única condição que coloquei foi que o PT tentaria convencê-lo a disputar o governo. Esse processo está amadurecendo, e hoje eu diria que há 99% de chance de o Fábio ser o nosso candidato”, afirmou.

Densidade eleitoral

Nos bastidores da política sul-mato-grossense, no entanto, a movimentação é vista como uma tentativa do PT de reinventar sua estratégia no Estado, já que Fábio Trad não possui trajetória histórica ligada à legenda.

Avalia-se também que o partido acabou recorrendo ao ex-deputado por falta de alternativas competitivas para a disputa majoritária, mesmo tendo em seus quadros o deputado estadual Zeca do PT, ex-governador de Mato Grosso do Sul e uma das principais lideranças históricas da sigla no Estado.

Analistas políticos também apontam dúvidas sobre a densidade eleitoral do ex-deputado para sustentar uma candidatura majoritária. Nas eleições de 2022, Trad tentou a reeleição para a Câmara dos Deputados do Brasil, mas acabou derrotado ao receber 43.881 votos, resultado bem inferior ao obtido em 2018, quando havia sido eleito com 89.385 votos.

A queda expressiva na votação o deixou fora das oito vagas destinadas a Mato Grosso do Sul na Câmara Federal.

Desafio político

Além das dúvidas eleitorais, pesa também o fato de que Fábio Trad passará a defender as bandeiras do PT em um momento considerado delicado para o partido e para o governo federal.

A gestão Lula enfrenta desgaste político em meio a denúncias e investigações que atingem o ambiente político nacional, incluindo o caso envolvendo o Banco Master e o escândalo do desvio de R$ 6,3 bilhões das contas de aposentados e pensionistas do INSS, alvo de apuração no Congresso.

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