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Política

Guerra no Oriente Médio acirra tensão entre Lula e Trump antes de encontro

Apesar de conflito, governo prevê enfatizar diálogo técnico e pragmático

Conjuntura Online
09/03/26 às 15h26
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Lula se reúne com Trump na Malásia. ( Foto: Ricardo Stuckert/ Divulgação PR)

A ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e alastrou o conflito para outros países do Oriente Médio, elevou o peso da crise na relação entre Brasília e Washington em meio às tratativas para um encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

A expectativa no governo brasileiro é que Lula reitere diante do presidente americano a posição contrária ao ataque, em mais um ponto de divergência política num momento de intensificação do diálogo bilateral. A reunião, contudo, ainda não tem data definida.


O desalinhamento se soma a outros episódios recentes, como a reação de Brasília à captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, em janeiro em Caracas — classificada pelo governo como “sequestro” — e à posição de Lula contrária às sanções a Cuba.

A diplomacia brasileira enfrenta o desafio de buscar uma posição equilibrada para evitar que as relações com os EUA se deteriorem e retornem ao nível de tensão observado em meados do ano passado, sem deixar de explicitar a posição de Lula, que vai disputar a reeleição este ano.

Ao mesmo tempo, em que condenou os ataques ao Irã, o Brasil se solidarizou com Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia, apontados como alvos de retaliações iranianas.

Outro ponto sensível é a proposta de criação de um conselho de paz defendido por Trump, para o qual o Brasil foi convidado. Lula deu sinais de que não vai aceitar, tem criticado a ideia publicamente e defende que o colegiado trate especificamente da reconstrução da Faixa de Gaza, com a participação dos palestinos.

Busca por equilíbrio

O foco está em comércio e segurança, mas temas sensíveis como Oriente Médio, Venezuela e Cuba também devem fazer parte da conversa. No Palácio do Planalto, a avaliação é que Lula precisará equilibrar princípios e pragmatismo.

Interlocutores em Brasília e Washington avaliam que o primeiro tête-à-tête entre os dois chefes de Estado na Casa Branca, depois de breves conversas em Nova York e Kuala Lumpur, em 2025, dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio. Para autoridades que acompanham o tema, manter uma boa relação com o Brasil continua sendo importante para Washington, mas hoje isso está longe de ocupar posição central na agenda da Casa Branca. (As informações são do Globo.com)

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