A crise política e financeira no Paraguai ganhou um novo capítulo neste sábado (7), com o indiciamento do ex-presidente Santiago Peña e do ex-presidente do Banco Central, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding.
O Ministério Público apresentou acusações formais contra os dois e pediu à Justiça a decretação de prisão preventiva.
Peña, afastado da Presidência após sofrer impeachment na sexta-feira (6), é investigado por abuso de confiança e administração em benefício próprio. Já Carvallo responde também por suspeita de produção de documentos públicos falsos.
Os dois compareceram à sede do Ministério Público, em Assunção, neste sábado, mas optaram por permanecer em silêncio durante os depoimentos. O pedido de prisão preventiva ainda depende de decisão judicial.
O ex-presidente já estava em prisão domiciliar desde sexta-feira, quando foi detido após a aprovação de seu impeachment pelo Senado paraguaio.
Escândalo bancário derrubou presidente
A investigação está relacionada ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações suspensas na terça-feira (3), após o Banco Central identificar graves problemas de solvência.
A crise deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas bancárias e provocou protestos no país. O banco também concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos, incluindo recursos previdenciários.
Peña foi acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, favorecimento à instituição financeira e possíveis irregularidades na fiscalização bancária.
O ex-presidente nega envolvimento em irregularidades.
Além de Peña e Carvallo, antigos dirigentes do Ueno Bank também são investigados por suspeitas de fraude e administração irregular. Parte dos executivos já teve a prisão preventiva determinada pela Justiça.
Novo presidente assume em meio à crise
A destituição de Santiago Peña foi aprovada pelo Senado na sexta-feira, depois de o Congresso rejeitar sua tentativa de renúncia. Com a perda do cargo, ele também deixou de contar com a imunidade presidencial.
O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai e deverá concluir o mandato até agosto de 2028.
Enquanto o novo governo tenta conter os efeitos da crise bancária, o Ministério Público amplia as investigações para identificar possíveis responsabilidades pelo colapso financeiro.
O caso ainda está em fase de investigação, e as acusações apresentadas não representam condenação dos envolvidos. (Com CNN)
