O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para o quarto mandato, após uma reeleição marcada por suspeitas de fraude levantadas por setores da oposição, diante de um cenário econômico marcado pelo crescimento da dívida pública, pressão sobre os gastos federais e dificuldades no Banco do Brasil.
A combinação desses problemas amplia a necessidade de ajustes nas contas públicas e pode tornar mais difícil a recuperação do equilíbrio fiscal nos próximos anos.
A dívida bruta brasileira chegou a R$ 11,1 trilhões em setembro, equivalente a 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo dados do Banco Central.
Desde o início do terceiro mandato de Lula, o endividamento avançou 11,2 pontos percentuais, aumentando a preocupação de economistas e investidores com a sustentabilidade das contas públicas.
O quadro é agravado pela expansão das despesas federais e pelo custo elevado dos juros. Medidas anunciadas pelo governo, com impacto estimado em R$ 290 bilhões entre 2026 e 2027, também ampliam o debate sobre prioridades orçamentárias e a necessidade de conter gastos considerados dispensáveis por críticos da política fiscal.
Economistas avaliam que o próximo governo poderá precisar de um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões para estabilizar a trajetória da dívida.
Sem mudanças na política fiscal, o crescimento das despesas e o pagamento de juros poderão reduzir a capacidade de investimento público e dificultar a recuperação da confiança do mercado.
Banco do Brasil amplia preocupações
Além do desequilíbrio fiscal, Lula terá de enfrentar as dificuldades do Banco do Brasil, instituição controlada pelo governo federal e pressionada pelo aumento da inadimplência no agronegócio.
O banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 7,34 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. A deterioração da carteira de crédito rural e as dificuldades dos produtores para manter os pagamentos em dia pressionam os resultados da instituição.
A taxa de pagamentos em dia ficou em 75%, abaixo dos 90% esperados pelo banco para o segundo semestre. Analistas também reduziram as projeções de lucro do terceiro trimestre para aproximadamente R$ 3,3 bilhões.
A desconfiança dos investidores ficou evidente após a eleição presidencial de outubro, quando as ações do Banco do Brasil despencaram 29% em um único pregão, diante das preocupações com a política fiscal e a possibilidade de manutenção dos juros elevados.
Governo tem pouco espaço para socorrer banco
Uma das alternativas estudadas pelo mercado envolve a BB Seguridade, braço de seguros da instituição. A venda de participações ou a renegociação de contratos poderia reforçar o capital do Banco do Brasil sem exigir imediatamente novos recursos públicos.
A possibilidade de um aporte do Tesouro Nacional enfrenta obstáculos diante do elevado endividamento brasileiro. O governo possui pouco mais de 50% do capital do banco, o que também limita alternativas de captação que possam reduzir sua participação acionária.
Analistas apontam que a instituição precisa fortalecer sua estrutura de capital, enquanto a administração busca alternativas para enfrentar as perdas com empréstimos e preservar sua capacidade de financiamento.
