Conjuntura - o 1º Site Político de MS
O 1º site político de Mato Grosso do Sul | Quinta-feira, 05 de novembro de 2026
Política

Presidente do Paraguai renuncia após escândalo bancário 

Santiago Peña deixou o cargo nesta quinta-feira em meio a protestos, denúncias de irregularidades financeiras e perda de apoio político no Congresso

Conjuntura Online
05/11/26 às 12h57
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia. (Foto: Reprodução)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), após uma grave crise financeira e política provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias digitais do país.

A decisão ocorreu em meio a manifestações populares e à abertura de discussões no Congresso sobre um processo de impeachment contra o mandatário.

Peña comunicou sua saída por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. Na declaração, afirmou que decidiu deixar a Presidência para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas.

O presidente também pediu desculpas à população, mas não assumiu responsabilidade direta pela crise bancária.

O escândalo ganhou força depois que o BCP (Banco Central do Paraguai) determinou a intervenção no Ueno Bank, diante de graves problemas de solvência. A instituição possui aproximadamente três milhões de clientes, muitos dos quais ficaram impossibilitados de movimentar suas contas ou retirar dinheiro.

A situação provocou protestos em Assunção, capital paraguaia, onde manifestantes exigiram a devolução dos recursos depositados e a responsabilização dos envolvidos. O banco também administrava centenas de milhões de dólares pertencentes a instituições públicas e fundos previdenciários.

A crise atingiu diretamente Peña devido à sua antiga participação acionária no grupo controlador do Ueno Bank, encerrada em 2025. Parlamentares apresentaram acusações de conflito de interesses, uso irregular de recursos previdenciários e supostas omissões de órgãos públicos na fiscalização da instituição financeira.

Na quarta-feira (4), um grupo de 35 deputados formalizou um pedido de impeachment contra o presidente e o vice-presidente Pedro Alliana. A situação política de Peña se agravou quando integrantes do próprio Partido Colorado, incluindo o ex-presidente Horacio Cartes, retiraram o apoio ao governo.

As investigações sobre o colapso bancário também resultaram na detenção de oito dirigentes da instituição financeira. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que anteriormente havia comandado a empresa financeira que deu origem ao Ueno, deixou o cargo durante a crise.

Peña, de 47 anos, assumiu a Presidência em agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. Sua renúncia abre caminho para a sucessão presidencial, com o vice-presidente Pedro Alliana indicado para assumir o comando do país, conforme os procedimentos constitucionais.

Além das consequências políticas, o governo paraguaio enfrenta o desafio de garantir a devolução dos depósitos aos clientes atingidos e restabelecer a confiança no sistema financeiro nacional. A crise também gera preocupação sobre seus possíveis impactos econômicos em um país que mantém intensas relações comerciais com o Brasil, especialmente nas regiões de fronteira com Mato Grosso do Sul.

Últimas em Política
VER TODAS AS NOTÍCIAS
Conjuntura - o 1º Site Político de MS
O 1º site político de Mato Grosso do Sul
Conjuntura Online - Copyright © 2004-2026. Todos os direitos reservados.