O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (5) que pretende manter em segredo as circunstâncias de sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos, após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, ele declarou que levará ao túmulo as informações sobre como conseguiu chegar ao território americano.
Esta foi a primeira entrevista concedida pelo parlamentar desde que se ausentou do país, acompanhado da mulher e das duas filhas, em meio a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Flávio negou ter recebido apoio dos governos dos Estados Unidos ou da Argentina para realizar a viagem. Segundo ele, a decisão de deixar o Brasil foi exclusivamente sua, motivada pelo receio de ser preso.
"Não tive nenhuma ajuda de ninguém, de nenhum governo. Como eu cheguei aqui, vou levar ao túmulo comigo", declarou o senador.
O parlamentar também afirmou que decidiu viajar para os Estados Unidos por acreditar que poderia enfrentar uma situação semelhante à de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Eu já sei que o final da história será minha prisão", acrescentou.
Viagem ocorreu após determinação sobre passaportes
Flávio deixou o Brasil após o segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro. Sua chegada aos Estados Unidos ocorreu em 28 de outubro, depois de uma passagem pela Argentina.
A viagem aconteceu em meio a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, na qual houve determinação para entrega de seus passaportes.
O deslocamento foi realizado em um jato particular com destino à Flórida. Posteriormente, o proprietário da empresa responsável pela aeronave informou que o voo havia sido contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico, utilizando uma conta nos Estados Unidos.
Reportagens da imprensa internacional também apontaram a possível participação de pessoas ligadas aos governos de Donald Trump e Javier Milei na organização da viagem. Flávio, entretanto, negou qualquer auxílio oficial.
Após chegar aos Estados Unidos, o senador contestou o resultado das eleições presidenciais brasileiras. As alegações de irregularidades apresentadas por ele não foram acompanhadas de comprovação de fraude eleitoral.
Apesar de manter em sigilo os detalhes de sua saída do país, Flávio afirmou que espera permanecer temporariamente nos Estados Unidos e não descartou voltar a disputar a Presidência da República caso sejam realizadas novas eleições. (Jovem Pan)
