O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta: a organização corre o risco de um "colapso financeiro iminente".
Em uma carta enviada aos Estados membros das Nações Unidas, divulgada pela agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (30), o chefe da ONU diz que a ''situação deverá se deteriorar ainda mais em um futuro próximo".
"A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e correndo o risco de um colapso financeiro. E a situação deverá se deteriorar ainda mais em um futuro próximo", escreveu Guterres aos embaixadores no documento datado de 28 de janeiro.
Guterres também citou no documento taxas não pagas e uma regra orçamentária que obriga o organismo global a devolver o dinheiro não gasto.
Segundo as regras da ONU, as contribuições dos Estados membros dependem do tamanho da economia de cada um. Os EUA representam 22% do orçamento principal, seguidos pela China com 20%.
Sem mencionar os nomes, Guterres revelou que, no final de 2025, havia um valor recorde de US$ 1,57 bilhão em dívidas pendentes.
“Ou todos os Estados-Membros cumprem as suas obrigações de pagamento na íntegra e a tempo, ou os Estados-Membros devem rever fundamentalmente as nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, afirmou.
O secretário-geral tem falado repetidamente sobre a crescente crise de liquidez da organização, mas este é o seu alerta mais contundente até o momento.
O aviso sobre a crise nas Nações Unidas vem logo após o lançamento do Conselho da Paz, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O grupo foi inicialmente idealizado para atuar apenas em Gaza, mas agora Trump fala em atuar em outros conflitos pelo mundo que necessitem de mediação. Declarações da Casa Branca causaram preocupação entre a comunidade internacional, que está vendo o conselho como uma espécie de 'ONU paralela'.
Trump costuma criticar instituições multilaterais, principalmente ONU. O presidente norte-americano questiona a eficácia, o custo e a responsabilidade desses organismos e afirma que, muitas vezes, eles não servem aos interesses dos Estados Unidos.
Durante a cerimônia de lançamento do conselho, em Davos, na Suíça, Trump voltou a criticar as Nações Unidas e afirmou:
"Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo".
Antes mesmo do lançamento do conselho, os EUA reduziram drasticamente o financiamento voluntário para agências da ONU e se recusaram a fazer pagamentos obrigatórios para seus orçamentos regulares e de manutenção da paz. (Copm g1)
