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Política

Republicanos se unem aos democratas e pedem a cabeça da  'Barbie do ICE'

Apesar da truculenta e desastrosa gestão de agentes federais em Minneapolis, Trump mantém a secretária de Segurança Interna no cargo, mas a desvia de suas funções

Conjuntura Online
30/01/26 às 11h33
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Kristi Noem, chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUa (Foto: g1)

Donald Trump tornou-se popular demitindo pessoas no reality show “O aprendiz”, mas como presidente dos EUA, ele evita dispensar seus funcionários, ainda que cometam erros e o irritem.

É o caso da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que conduz a errática política anti-imigração do governo e apressou-se a tachar como terrorista doméstico o enfermeiro Alex Pretti, assassinado brutalmente em Minneapolis com dez tiros por agentes federais.

Ao apresentar sua fantasiosa versão para a execução, Noem deflagrou uma onda bipartidária de apelos para que renunciasse ao cargo, sob a ameaça de sofrer um impeachment.

Trump resistiu e pareceu apoiar a secretária, mas deixou claro o descontentamento: mandou o czar da fronteira, Tom Homan, para Minnesota, no lugar de Gregory Bovino, alinhado a Noem e responsável pela truculência na resposta aos protestos em Minneapolis.

Apelidada pelos críticos de Barbie do ICE, ela sai queimada e humilhada pela crise em Minneapolis, mas, por enquanto, permanece no cargo. O presidente aprecia a lealdade de seus assessores, e Noem atua para parecer mais realista do que o chefe.

Quando a primeira leva de imigrantes foi deportada para El Salvador, a secretária correu para lá e posou diante dos presos no Cecot, a megaprisão de segurança construída pelo presidente Nayib Bukele.

Vale lembrar que a ex-governadora de Dakota do Sul coleciona episódios bastante controversos em sua biografia. Fez questão de contar em livro que assassinou o próprio cachorro, o filhote Cricket, de 14 meses, por considerá-lo indomável.

“Eu odiava aquele cão”, justificou a então governadora. Ela relatou também ter matado uma cabra da fazenda da família: “Era má, nojenta e malcheirosa.”

Para levar adiante a deportação em massa de imigrantes, um dos pilares do governo Trump, Noem obteve uma invejável dotação orçamentária às duas agências sob o guarda-chuva do Departamento de Segurança Interna — o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e a Patrulha da Fronteira. O ICE recebeu US$ 30 bilhões e dobrou o seu efetivo para 22 mil agentes.

As imagens das mortes de dois americanos por agentes federais e da prisão de uma criança de 5 anos em Minneapolis parecem ter abalado o eixo desta política. Congressistas republicanos indignados se juntaram ao bloco democrata pedindo a cabeça de Kristi Noem.

“O que ela fez em Minnesota deveria ser motivo de desqualificação. Ela deveria ser demitida, é simplesmente amadorismo”, ponderou o senador republicano Thom Tilis, da Carolina do Norte. Ao ser chamado de perdedor pelo presidente, o senador replicou com ironia: “Fico muito feliz, pois isso me qualifica para ser secretário de Segurança Interna e conselheiro sênior do presidente.

Diante do desgaste na base republicana e da repercussão negativa no país, o presidente teria recomendado a Tom Homan suavizar a atuação em Minnesota. O aparente recuo do presidente foi recebido com ceticismo em Minneapolis, onde as patrulhas de ativistas organizadas por moradores permanecem mobilizadas à espera do imponderável, que está sempre à espreita na Casa Branca de Trump.

Kristi Noem, por sua vez, se segura no cargo e parece fazer jus ao apelido de “Barbie do ICE” (que em inglês significa gelo): a secretária de Segurança Interna foi escanteada para gerir os estragos causados pela onda de frio extremo no país. (Com Por Sandra Cohen)

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