Fazer o básico funcionar bem e garantir que os serviços públicos cheguem de forma efetiva à população. Foi dessa maneira que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, resumiu o que considera um dos principais desafios de uma administração pública eficiente durante evento realizado na quinta-feira (27), em São Paulo.
“Se a gente conseguir entregar o que parece básico e essencial bem feito, e as pessoas perceberem menos a ausência do Governo do que a presença, acho que já estaremos construindo um grande legado”, afirmou.
A declaração foi feita durante o Painel de Governadores, realizado no lançamento do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, promovido pelo CLP (Centro de Liderança Pública).
O encontro reuniu também os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Rafael Fonteles, do Piauí, e Jorginho Mello, de Santa Catarina, em uma discussão sobre gestão pública, competitividade, equilíbrio fiscal, capital humano, sustentabilidade, inovação e uso de dados na formulação de políticas públicas.
A participação de Riedel ocorreu em um momento em que Mato Grosso do Sul permanece entre os dez estados mais competitivos do país. No levantamento deste ano, o Estado aparece na 10ª colocação nacional.
Um dos principais avanços ocorreu no indicador de Eficiência da Máquina Pública. Mato Grosso do Sul ganhou três posições e chegou ao 5º lugar no Brasil.
Para Riedel, no entanto, os resultados de uma administração não devem ser medidos apenas pelo volume de recursos aplicados ou pela quantidade de obras executadas. Segundo ele, a avaliação precisa considerar o impacto dos investimentos e das políticas públicas na vida da população.
Continuidade e planejamento
Ao apresentar a experiência de Mato Grosso do Sul, o governador apontou quatro pontos que considera fundamentais para a continuidade das políticas públicas: equipes técnicas qualificadas, estabilidade política, responsabilidade fiscal e uso de informações para orientar decisões.
Na avaliação de Riedel, estados que alcançam posições de destaque não chegam aos resultados apenas com ações pontuais. Segundo ele, é necessário manter planejamento, mecanismos de governança e acompanhamento permanente das metas definidas pela administração.
“A política pública depende muito de uma transformação cultural, de uma transformação em que se estimula a liderança dos times. O nosso papel é montar equipes comprometidas com esse caminhar e capazes de entregar bons resultados para a sociedade”, afirmou.
Essa lógica também passa pela forma como o governo acompanha os investimentos e identifica as prioridades de cada região.
Em Mato Grosso do Sul, parte desse trabalho é realizada pelo Centro de Inteligência do Estado, que reúne informações de diferentes áreas da administração e permite acompanhar obras, programas e indicadores nos 79 municípios.
Os dados possibilitam comparar investimentos por habitante, identificar desigualdades regionais e direcionar recursos para áreas onde as necessidades são maiores.
“O capital humano só se transforma em vantagem competitiva quando encontra investimento em tecnologia e oportunidade. A análise e o monitoramento de dados precisam fazer parte da tomada de decisão, especialmente porque os recursos são escassos e sempre haverá necessidade de priorizar”, disse Riedel.
Crescimento e inclusão
Durante o painel, o governador também relacionou o crescimento econômico à necessidade de ampliar oportunidades para parcelas da população que ainda permanecem em situação de vulnerabilidade.
A estratégia apresentada por Riedel está baseada em quatro eixos: prosperidade, inclusão, sustentabilidade ambiental e transformação digital.
Mato Grosso do Sul registra crescimento econômico acima da média nacional e recebeu mais de R$ 105 bilhões em investimentos privados nos últimos anos. O movimento tem sido acompanhado pela abertura de postos de trabalho e pela ampliação de programas de qualificação profissional.
Para o governador, porém, o crescimento só produz resultados mais amplos quando alcança também as famílias que ainda não conseguem acessar as oportunidades geradas pela expansão da economia.
Dados apresentados durante o evento mostram que a extrema pobreza caiu para 1,6% da população de Mato Grosso do Sul, redução de 40%.
Nesse contexto, o Estado recebeu do CLP o Prêmio Excelência em Competitividade pelo programa “Sem Deixar Ninguém Para Trás”, voltado ao atendimento de famílias em situação de extrema vulnerabilidade.
Segundo Riedel, o enfrentamento da pobreza não pode ficar restrito à transferência de renda. A proposta, afirmou, é identificar cada situação e integrar políticas de assistência social, educação, saúde e qualificação para o mercado de trabalho.
“O objetivo é resgatar aquela família e aquela pessoa que ainda não encontraram uma oportunidade. É quase um médico de família social. Não é apenas distribuir renda, mas identificar a situação e entregar, de forma integrada, as políticas públicas que podem transformar aquela realidade”, explicou.
Para Riedel, a combinação entre responsabilidade fiscal, planejamento, dados e políticas sociais é o caminho para transformar crescimento econômico em melhoria concreta das condições de vida.
A avaliação apresentada no encontro também reforçou a defesa de uma administração menos baseada em respostas improvisadas e mais orientada por resultados de longo prazo, especialmente nas áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e assistência social.
