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Política

Mudança de posição de Lula sobre maioridade penal provoca reação de aliados 

Presidente passou a defender punição criminal a partir dos 16 anos para crimes hediondos, contrariando posicionamentos anteriores do P

Conjuntura Online
17/10/26 às 07h15
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Redução da maioridade penal para 16 anos. (Foto: Reprodução)

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos provocou desconforto entre aliados e abriu uma nova frente de críticas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

A mudança ocorre na reta final do segundo turno presidencial, enquanto setores da esquerda evitam confrontar publicamente o candidato à reeleição.

Durante entrevista à TV Globo, na quinta-feira (15), Lula afirmou ser favorável à responsabilização criminal de adolescentes a partir dos 16 anos em crimes considerados hediondos.

A declaração contrasta com sua posição histórica e com manifestações anteriores do próprio PT contra alterações na idade penal.

Em 2015, o presidente criticou uma proposta semelhante, argumentando que o Estado deveria oferecer oportunidades aos jovens em vez de ampliar o encarceramento. Agora, defende que a questão seja discutida pelo Congresso, mas separadamente da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.

A mudança gerou resistência entre integrantes do partido. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), já havia classificado a discussão da maioridade penal em ano eleitoral como uma medida populista. O deputado Patrus Ananias (MG) também se posicionou contra a redução, sustentando que a proposta afrontaria garantias constitucionais.

Apesar das manifestações anteriores, os dois não comentaram publicamente a nova posição de Lula até sexta-feira (16).

A UNE (União Nacional dos Estudantes), que apoia a reeleição do presidente, reafirmou ser contrária à redução da maioridade penal, mas direcionou suas críticas à proposta apresentada por parlamentares do PL, sem mencionar diretamente a declaração de Lula.

Do outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a explorar a mudança de discurso do presidente. A campanha do senador defende uma proposta mais ampla, que prevê a redução da maioridade para 16 anos como regra geral e a responsabilização a partir dos 14 anos em determinados crimes graves.

A divergência também atingiu a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado. Diante do impasse entre as propostas, a votação foi adiada, sem definição de uma nova data.

O tema ganhou importância na campanha diante da opinião do eleitorado. Pesquisa Datafolha aponta que 80% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade penal para 16 anos. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o apoio chega a 89%, enquanto entre os de Lula é de 70%.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a discussão sobre a idade de responsabilização criminal passou a integrar o confronto entre as duas candidaturas, expondo divergências tanto entre governo e oposição quanto dentro da própria base política do presidente.

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