A suspeita de pagamento de R$ 290 mil em propina colocou o ex-assessor da Casa Civil de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto Castilho Vieira, conhecido como Serginho, no centro das investigações sobre possíveis desvios de recursos destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.
Afastado do governo estadual após a publicação de sua exoneração na quinta-feira (15), ele é investigado na Operação Dirty Pix, conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Segundo os investigadores, Serginho teria atuado como intermediário na liberação de R$ 8,5 milhões da Itaipu Binacional para a reforma e ampliação da unidade hospitalar. Em troca, teria negociado vantagens financeiras que somariam R$ 290 mil.
Mensagens extraídas de celulares dos investigados reforçaram as suspeitas. Em agosto de 2024, quando os recursos começaram a ser liberados, o então assessor questionou o presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, sobre a chegada do dinheiro, utilizando expressões como "tô com sede" e "não bebo água faz tempo".
Para o Ministério Público, os diálogos indicam uma possível cobrança de valores previamente combinados. A investigação também identificou duas notas fiscais, de R$ 210 mil e R$ 80 mil, suspeitas de encobrir pagamentos por serviços que não teriam sido executados.
Aumento do orçamento de reforma
Outro ponto investigado é o aumento do orçamento da reforma. Inicialmente estimada em R$ 1,13 milhão, a obra passou a ter previsão de R$ 8,55 milhões. Os promotores apuram se os custos foram artificialmente elevados para justificar a liberação dos recursos.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 290 mil ligados ao ex-assessor, além da quebra de seus sigilos bancário e fiscal. Serginho ocupava cargo comissionado desde janeiro de 2023 e recebeu remuneração bruta de R$ 24,6 mil em setembro deste ano.
A segunda fase da Operação Dirty Pix, realizada em 7 de outubro, resultou em três prisões preventivas e 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. As investigações abrangem contratos e convênios que ultrapassam R$ 18 milhões.
O então presidente do hospital, Jacob Breure, preso durante a operação, negou irregularidades na administração da unidade. Até o momento, não foi localizada manifestação pública de Serginho sobre as acusações.
A exoneração não encerra as investigações, que continuam para esclarecer o destino dos recursos públicos e a participação de cada suspeito.
