O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) reagiu nesta quinta-feira (8) à decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que anulou os votos recebidos por ele na eleição estadual.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que não teria entrado na disputa caso soubesse que estava impedido de concorrer e acusou adversários de articularem sua exclusão do processo eleitoral.
A manifestação ocorreu após o tribunal decidir, por 5 votos a 2, manter o indeferimento de sua candidatura.
Com a anulação dos 274.411 votos recebidos por Garotinho, o candidato Douglas Ruas (PL) deverá ser declarado eleito governador ainda no primeiro turno, após a retotalização dos resultados pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro).
Garotinho contestou os fundamentos da decisão e sustentou que estava apto a disputar a eleição.
Segundo ele, a condenação utilizada para justificar sua inelegibilidade está relacionada a um processo iniciado em 2005. O ex-governador também mencionou a anulação de procedimentos ligados à Operação Chequinho para defender sua situação jurídica.
O político afirmou que as restrições impostas à candidatura surgiram na reta final da campanha porque seus adversários estariam preocupados com seu desempenho eleitoral. A acusação, entretanto, representa a interpretação do ex-governador e não foi comprovada.
Críticas a Paes e Ruas
Durante a gravação, Garotinho também atacou Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), adversários na disputa pelo governo fluminense. Ele associou os grupos políticos dos dois candidatos a práticas de corrupção e à atuação de organizações criminosas, sem apresentar provas dessas acusações no vídeo.
Ao comentar o resultado das urnas, o ex-governador criticou a escolha dos eleitores e afirmou que a população terá de conviver com as consequências da decisão tomada na eleição.
Garotinho também utilizou os números de abstenções, votos brancos e nulos para questionar a representatividade do resultado, argumentando que uma parcela expressiva do eleitorado não apoiou os principais candidatos.
Decisão altera resultado da eleição
A controvérsia sobre a candidatura começou antes da votação de domingo (4). O TRE-RJ havia negado o registro de Garotinho por entender que ele permanecia com os direitos políticos suspensos em razão de uma condenação por improbidade administrativa.
A defesa sustentava que o prazo de inelegibilidade já havia terminado, enquanto a Justiça Eleitoral adotou interpretação diferente sobre o início da contagem da suspensão.
Após decisões judiciais divergentes durante a campanha, o caso chegou ao plenário do TSE, que confirmou nesta quinta-feira a impossibilidade de validar os votos recebidos pelo ex-governador.
A retirada desses votos modifica o cálculo dos percentuais válidos e permite que Douglas Ruas ultrapasse a marca de 50%, necessária para vencer a eleição sem segundo turno.
Apesar da derrota judicial, Garotinho afirmou que pretende continuar participando do debate político no Rio de Janeiro, retomando suas atividades públicas e as denúncias que costuma fazer contra integrantes da política estadual. (Jovem Pan)
