A primeira decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será anunciada nesta quarta-feira (4), em meio à preocupação do mercado financeiro com o aumento da dívida pública e a falta de definições sobre a política fiscal do próximo governo.
Economistas avaliam que uma redução dos juros neste momento poderá ampliar a desconfiança dos investidores e elevar os custos de financiamento no país.
A expectativa predominante é de manutenção da Selic em 13,75% ao ano. Na última sexta-feira (30), contratos negociados na B3 indicavam 72,5% de probabilidade de manutenção da taxa, contra 26% de chance de redução de 0,25 ponto percentual.
A mudança nas projeções ocorreu após a vitória de Lula no segundo turno. Desde então, o mercado registrou forte volatilidade, com queda da Bolsa, valorização do dólar e aumento dos juros futuros, diante das dúvidas sobre o controle dos gastos públicos.
No primeiro pregão após a eleição, as taxas de juros futuros chegaram a subir mais de três pontos percentuais. No Tesouro Direto, os títulos prefixados tiveram a maior elevação diária de taxas desde o início da série histórica, em 2005. A instabilidade levou o Tesouro Nacional a cancelar leilões e recomprar títulos.
Para analistas, o principal risco está na possibilidade de o Banco Central reduzir a Selic sem que o governo apresente medidas capazes de melhorar as perspectivas das contas públicas. Nesse cenário, os juros de longo prazo poderiam continuar subindo, encarecendo empréstimos, investimentos empresariais e o financiamento da dívida federal.
A preocupação também envolve a credibilidade do BC (Banco Central). Economistas alertam que um corte considerado prematuro poderia gerar dúvidas sobre o compromisso da instituição com o controle da inflação e alimentar expectativas de novas pressões sobre os preços.
O boletim Focus divulgado na terça-feira (3) mostrou uma revisão das projeções para a taxa básica de juros no encerramento de 2026, de 13,25% para 13,50% ao ano.
Outro fator de incerteza é a definição da equipe econômica do próximo mandato. Investidores aguardam sinais sobre a condução da política fiscal e eventuais medidas para conter o crescimento da dívida pública.
A decisão desta quarta-feira deverá indicar se o Banco Central pretende interromper o ciclo de cinco reduções consecutivas da Selic ou se ainda considera possível retomar os cortes na última reunião do ano, prevista para dezembro. (InfoMoney)
