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Executivo diz em delação premiada ter doado R$ 5 milhões a Delcídio

Delator Benedicto Barbosa da Silva Júnior diz que no setor que pagava as propinas o ex-senador tinha os codinomes 'Grizalhão' e 'Ferrari'.

14/04/2017 - 18h57

Campo Grande

Senador Delcídio do Amaral (PT) (Foto: Leandro Abreu/G1MS)

A proximidade com a então presidente Dilma Rousseff (PT) e a proeminência no Senado foram preponderantes para que a Odebrecht fizesse uma doação não contabilizada, por caixa 2, no valor de R$ 5 milhões para a campanha de Delcídio do Amaral ao governo de Mato Grosso do Sul em 2014. A afirmação foi feita em delação do ex-presidente da Construtora Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, no âmbito da operação Lava Jato da Polícia Federal. A delação foi uma das homologadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).


Com base nesta delação e também na de outro executivo da Odebrecht, Rogério Santos de Araújo, o ex-senador de Mato Grosso do Sul é citado em pedido de inquérito enviado pelo STF à Justiça Federal do Paraná para apurar o suposto recebimento de forma ilegal de recursos para as campanhas de políticas de 2006 (ao governo do estado), 2010 (ao Senado) e 2014 (novamente ao governo do estado).


A assessoria de Amaral informou a TV Morena, que ele confirma que recebeu doações da Odebrecht para a campanha eleitoral ao governo do estado em 2014, no valor de R$ 3 milhões, e que esse valor foi declarado na prestação de contas da campanha. Ainda segundo a assessoria, o ex-senador nega que tenha recebido qualquer outro valor e para outras campanhas.


Em sua delação, Silva Júnior declarou que se reuniu em 2014 com Amaral a pedido de Marcelo Odebrecht, então presidente do grupo empresarial, e que o encontro ocorreu em um escritório da empresa no Butantan, em São Paulo. Segundo seu relato, foi próprio então senador que pediu a doação para a sua campanha.


“O senador fez um pedido de doação de campanha para o estado onde ele iria concorrer pelo PT [Mato Grosso do Sul], de R$ 5 milhões. Eu ponderei que o valor era expressivo para um estado que eu não tinha operação e que eu não enxergava que era um lugar onde a gente pudesse ter alguma coisa na linha do que a gente buscava, que eram projetos diferentes das licitações de engenharia, alguma coisa que pudesse agregar valor. Mas, tendo em vista a proeminência do senador, era uma das pessoas dentro do partido que melhor se relacionava com a presidenta Dilma, era um líder nato dentro do Senado, eu ponderei e acabei acatando e ajustei com ele uma doação, cientificadamente a ele de que seria por caixa 2, que nós fizemos ao longo de 2014”, disse Silva Júnior em sua delação.


O ex-executivo da Odebrecht, disse ainda que o repasse a Amaral foi feito pelo Departamento de Operações Estruturas das Odebrecht, que era o setor dentro da empresa responsável pelo pagamento de propinas, e que as operações foram registradas no sistema de informática da unidade, o Drousys. No setor, o ex-senador por Mato Grosso do Sul tinha dois codinomes, conforme o delator: “Grizalhão”, por conta dos cabelos grisalhos do político e ainda “Ferrari”, porque ele seria na avaliação da empresa uma “pessoa muito acelerada”.


O delator explicou ainda que várias telas do sistema Drousys apresentadas durante seu relato, cerca de quatro ou cinco, registraram os pagamentos que foram efetuados pela empresa para os codinomes “Grizalhão” e “Ferrari”.


Silva Júnior revelou também na colaboração de onde vieram os recursos para o pagamento da doação a Amaral. “Esses pagamentos ficaram alocados, deixa eu ver aqui como é que eu acabei fazendo... Eu aloquei na área de energia. O senador tinha um histórico de energia, então eu aloquei num projeto privado que eu tenho, que é a usina hidrelétrica de Santo Antônio [em Porto Velho, Rondônia], que é um projeto 100% que a Odebrecht é investidora. Então eu aloquei num diretor que cuidava desse assunto para ele assumir esse custo na avaliação do negócio dele, tá, é um negócio privado”, descreveu.


O suposto repasse ilegal para as campanhas de 2006 e 2010 de Amaral é citado nas delações de outro ex-executivo da Odebrecht, Rogério Santos de Araújo. Ele afirma ter sido informado por Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, em uma reunião em 2006, que a empreiteira UTC Engenharia, se comprometeu ao pagamento de R$ 4 milhões para a campanha do ex-senador naquele ano, como contrapartida a participação da empresa em conjunto com a Odebrecht, na obra de ampliação da refinaria de Pasadena, da Petrobras, nos Estados Unidos.


Em relação a 2010, o delator aponta que o então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, solicitou a Odebrecht o pagamento de contribuição para a campanha de Amaral ao Senado, como contrapartida à eventual aprovação de projeto do gasoduto que seria concretizado por uma empresa argentina controlada pela Petrobras Energia Argentina. Com G1.

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