O CSMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal) abriu um procedimento interno para analisar mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A medida é vista com desconfiança porque o Conselho é presidido pelo próprio Gonet, embora o pedido do Partido Novo tenha sido encaminhado ao vice-presidente, Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino.
A iniciativa atende a um pedido de deputados do Partido Novo, protocolado na quarta-feira (2).
O caso foi distribuído ao conselheiro Francisco de Assis Sanseverino, que será o relator. Segundo integrantes do MPF (Ministério Público Federal), o próximo passo deve ser ouvir Gonet sobre as referências feitas a ele. Relatos posteriores apontam prazo de até dez dias para o procurador-geral se manifestar.
Os parlamentares pediram a designação de um subprocurador-geral da República para atuar em procedimentos relacionados ao caso Master que eventualmente envolvam Gonet.
Segundo os deputados, parte do material aponta interlocuções que teriam como destinatários o próprio PGR (procurador-geral da República) ou pessoas de seu núcleo familiar.
O ofício cita tratativas para reforçar contatos com autoridades e um convite a um familiar de Gonet para um evento no exterior, com despesas que seriam custeadas por empresas ligadas ao investigado.
O material integra um relatório da PF (Polícia Federal) enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) e tornado público pelo ministro André Mendonça. As conversas teriam sido intermediadas pelo advogado Ciro Soares.
Em março de 2025, por exemplo, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet, acompanhada da mensagem de que o procurador-geral queria falar com ele. Na sequência, a PF registrou ligações entre os envolvidos.
Dias depois, o advogado encaminhou mensagens que teriam sido escritas por Gonet. (Diário do Poder)
