A chegada de Ronaldo Caiado ao PSD unificou as pré-candidaturas à Presidência da República de três governadores sob a liderança de Gilberto Kassab e deixou o futuro escolhido entre as potenciais candidaturas de oposição à reeleição de Lula (PT).
Além do PSD e da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador Romeu Zema (Novo) permanece na corrida ao Planalto e o apoio do chefe do Executivo mineiro tem potencial de ser decisivo no estado, que detém o segundo maior colégio eleitoral brasileiro e definiu as últimas eleições presidenciais.
Minas Gerais passou a ser conhecido como “estado pêndulo” pelo peso no resultado das eleições presidenciais.
Os últimos presidentes foram eleitos com vitórias no estado, ou seja, quem vence em Minas é eleito presidente da República, o que coloca o pré-candidato a presidente do Novo como uma peça-chave de oposição ao projeto de continuidade da gestão federal petista.
A aproximação ideológica entre o Novo e o partido da família Bolsonaro é considerada um fator político que pode atrair o governador mineiro para a chapa encabeçada pelo filho do ex-presidente.
Por outro lado, a migração do vice-governador Mateus Simões, que no ano passado trocou o Novo pelo PSD, aproximou Zema do cacique Gilberto Kassab.
O apoio do mineiro fortaleceria a chapa presidencial do PSD. Além de Caiado, os governadores do Paraná, Ratinho Junior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite são cotados para a corrida ao Planalto.
Enquanto isso, Zema mantém o projeto presidencial pelo Novo com acordo prévio do apoio de Simões, caso a candidatura a presidente seja confirmada em agosto, o que foi definido antes da liberação do vice-governador para o PSD.
Desincompatibilização
Zema deve deixar o governo mineiro no dia 22 de março, atendendo ao prazo de desincompatibilização previsto até 4 de abril, conforme a legislação eleitoral. Pré-candidato ao governo do estado, Simões vai assumir o comando estadual.
O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, negou que o partido tenha sido procurado para a construção de uma chapa com a indicação de Zema como candidato a vice, mas afirmou que a sigla deve apoiar o adversário de Lula, caso o mineiro não chegue ao segundo turno.
“Nosso plano é ir até o fim. Tenho certeza absoluta de que ele [Zema] vai crescer muito. Vai rodar o Brasil e ser mais conhecido. As pesquisas ainda mostram desinteresse de boa parcela da população em relação à campanha”, respondeu Ribeiro em entrevista ao Valor Econômico na última segunda-feira (2).
