O último debate presidencial antes do segundo turno, marcado para esta sexta-feira (23), deve apresentar uma mudança de postura dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Depois de um primeiro confronto marcado por provocações e ataques pessoais, as duas campanhas trabalham para dar maior espaço às propostas e alcançar eleitores que ainda não definiram o voto.
O encontro será realizado pela TV Globo, no Rio de Janeiro, a partir das 21h20. A disputa ocorre em um momento decisivo da eleição, já que os brasileiros voltarão às urnas no domingo (25) para escolher o próximo presidente da República.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, a orientação é reduzir as provocações diretas ao adversário e apresentar respostas mais objetivas.
O senador pretende concentrar o discurso em segurança pública, economia, custo de vida, saúde, proteção às mulheres e manutenção dos programas sociais.
A estratégia também busca ampliar a aproximação com eleitores de centro, considerados importantes para o resultado da votação. A avaliação dos aliados é de que Flávio precisa demonstrar maior domínio das propostas e capacidade de administrar o país.
O candidato passou os últimos dias em preparação com integrantes de sua equipe e especialistas em diferentes áreas. Entre os participantes estiveram o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que contribuiu com discussões sobre infraestrutura, e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), na área de segurança pública.
Do lado de Lula, a principal preocupação é evitar que o debate volte a ser dominado por acusações. A campanha petista considera que o presidente perdeu oportunidades de apresentar propostas no confronto anterior, ao responder às provocações do adversário.
A preparação também incluiu ajustes na postura diante das câmeras. No debate realizado pela Band, Lula apresentou dificuldades de posicionamento no palco e chegou a ficar fora do enquadramento de iluminação em alguns momentos.
Para esta sexta-feira, a orientação é que o presidente permaneça mais próximo do púlpito e procure conduzir as discussões para temas relacionados à sua gestão e às propostas para um eventual novo mandato.
A preparação do petista contou com a participação do ministro Sidônio Palmeira, responsável pela Secom (Secretaria de Comunicação Social), além do senador Camilo Santana (PT), do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e do senador eleito Rui Costa (PT).
Regras do debate também foram alteradas
A TV Globo estabeleceu restrições à circulação dos candidatos pelo cenário. Nos três primeiros blocos, enquanto um estiver falando, o outro deverá permanecer em seu púlpito. No último bloco, a movimentação ficará limitada ao lado reservado a cada participante.
A medida modifica a dinâmica observada no debate anterior, quando a movimentação de Flávio Bolsonaro atrás de Lula provocou reclamações da campanha petista.
O confronto terá quatro blocos de perguntas e respostas, sendo três com temas definidos e um de tema livre. A mediação ficará a cargo do jornalista César Tralli.
A emissora também realizará checagem de declarações feitas pelos candidatos durante a transmissão.
Com a votação marcada para domingo, o debate representa uma das últimas oportunidades de Flávio e Lula apresentarem seus argumentos diretamente ao eleitorado. As duas campanhas apostam na exposição nacional para tentar conquistar votos na reta final de uma disputa presidencial acirrada. (Com CNN)
