A oposição ampliou nesta quinta-feira (20) a pressão em torno das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). O senador Carlos Viana (PSD-MG) iniciou a coleta de assinaturas para criar uma nova CPMI e pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a preservação e o aprofundamento da análise de provas digitais.
A articulação ocorre enquanto as investigações ganham espaço no cenário eleitoral. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas diminuiu desde o fim de julho, período em que avançaram os inquéritos envolvendo Lulinha.
Especialistas apontam que denúncias desse tipo podem influenciar principalmente eleitores ainda indecisos.
Segunda tentativa no Congresso
A iniciativa retoma uma ofensiva que não avançou em março. Na ocasião, o relatório da CPMI do INSS, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), chegou a propor o indiciamento de Lulinha, mas foi rejeitado pelo colegiado.
Agora, Viana pretende investigar uma eventual intermediação de interesses privados de Lulinha junto a órgãos do Executivo. Entre os pontos citados estão tratativas envolvendo medicamentos à base de canabidiol, a lobista Roberta Luchsinger, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e empresas relacionadas ao caso.
O requerimento busca esclarecer se houve pagamentos ou promessa de vantagens, quais órgãos e autoridades teriam sido procurados e se relações pessoais foram utilizadas para obter acesso à estrutura do governo.
Para a instalação da CPMI, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Depois disso, cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir sobre a leitura do requerimento.
Pedido ao STF
Paralelamente, Viana encaminhou ao ministro André Mendonça, do STF, um complemento a uma representação criminal apresentada anteriormente. O senador pede a preservação de arquivos, metadados e outros registros digitais relacionados às investigações, além da apuração de movimentações financeiras e eventual interesse em contas no exterior.
Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo STF desde julho, relacionados a suspeitas de favorecimento de empresas perante órgãos federais. Um dos procedimentos, mantido sob sigilo, também apura possíveis conexões envolvendo integrantes e ex-integrantes do governo.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e critica o que classifica como vazamentos seletivos de informações das investigações. (Com CNN)
