O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos passou a reunir, simultaneamente, diferentes frentes de tensão.
Às negociações para tentar evitar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros somam-se novas investigações comerciais conduzidas por Washington, episódios sobre segurança e uma disputa política que ganhou força no Congresso Nacional.
Um dos temas que mais mobilizou o debate nos últimos dias foi um ofício do Ministério das Relações Exteriores brasileiro que mencionou a possibilidade de eventual uso da força pelos Estados Unidos após a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelo governo americano.
Embora autoridades dos Estados Unidos neguem que exista qualquer discussão sobre uma ação militar em território brasileiro, o documento provocou reação da oposição.
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre o tema. A data da audiência ainda não foi definida.
Parlamentares de oposição afirmam que as explicações apresentadas pelo governo foram insuficientes e acusam o Executivo de ter tratado um cenário sem fundamento.
Além da disputa política, o episódio ampliou a pressão do Congresso sobre o governo em um momento de maior sensibilidade na relação bilateral.
Ao mesmo tempo, Brasília procura preservar os canais de diálogo na área de defesa. Nesta quarta-feira (8), durante agenda no Peru, o ministro da Defesa, José Múcio, reuniu-se com o subsecretário de Defesa dos Estados Unidos em um encontro solicitado pelo governo americano.
Segundo o Ministério da Defesa, a reunião ocorreu em clima de cordialidade e teve como principal tema justamente a cooperação entre os dois países no combate ao narcotráfico.
Na frente comercial, o governo brasileiro concentra esforços para tentar evitar a entrada em vigor de uma tarifa de 25% estudada pelos Estados Unidos.
A expectativa é de uma nova reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, e o representante comercial americano, Jamieson Greer, antes da decisão prevista para a próxima semana.
Apesar das negociações, a avaliação de integrantes do setor privado e de especialistas é de cautela. Quem acompanhou os dois dias de audiência pública promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) considera improvável que as tarifas sejam totalmente revertidas. (CNN)
