A dificuldade histórica de acesso à água potável nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, deverá ser enfrentada com a implantação de um novo sistema de abastecimento, estimado em R$ 50 milhões.
A estrutura foi planejada para atender quase 30 mil pessoas, considerando o crescimento populacional das comunidades até 2033.
A primeira etapa das obras já está em andamento, com a perfuração de dois superpoços pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos).
Cada aldeia receberá uma unidade de captação, com profundidade superior a 600 metros e capacidade estimada de produzir 300 mil litros de água por hora.
A água será retirada do Aquífero Guarani, uma das principais reservas subterrâneas do país. O investimento previsto para cada poço é de R$ 4,49 milhões, com recursos do Ministério da Saúde, repassados por meio da Caixa Econômica Federal.
Elaborado pela Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), o projeto vai além da perfuração dos poços. Estão previstas a construção de reservatórios, instalação de adutoras, ampliação das redes de distribuição e implantação de estruturas de tratamento e controle da qualidade da água.
O objetivo é reduzir as irregularidades no fornecimento e equilibrar a pressão da água distribuída entre as comunidades, que enfrentam dificuldades recorrentes de abastecimento.
A execução está sob responsabilidade da Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística), por meio da Agesul. As próximas etapas dependem de processos licitatórios para implantação dos reservatórios, ampliação das redes e construção das casas de química.
Nessas unidades, a qualidade da água deverá ser acompanhada por análises semanais, conforme os parâmetros de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde.
Além das perfurações em andamento, está aberta uma licitação estimada em R$ 19,76 milhões para implantação do sistema de abastecimento da aldeia Jaguapiru. O prazo para apresentação das propostas termina em 22 de outubro.
A expectativa é que, após a conclusão de todas as etapas, o novo sistema proporcione maior regularidade no abastecimento e amplie o acesso à água tratada para as famílias indígenas Guarani, Kaiowá e Terena que vivem na reserva.
Embora a perfuração dos poços represente o início da execução, o fornecimento pelo novo sistema dependerá da conclusão das demais estruturas de tratamento, armazenamento e distribuição.
