Pelo menos 139 pessoas morreram e outras 84 continuam desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação que transportava migrantes do Djibuti, no leste da África, em direção ao Iêmen.
O balanço foi atualizado no domingo (11), três dias após o acidente, considerado uma das maiores tragédias recentes na rota migratória que liga o continente africano à Península Arábica.
O barco transportava 305 pessoas, a maioria de nacionalidade etíope, quando virou na noite de quinta-feira (8) para sexta-feira (9), nas proximidades de Guhere, ao norte da cidade portuária de Obock. Entre as vítimas fatais estão pelo menos 15 crianças.
De acordo com a OIM (Organização Internacional para as Migrações), ligada à ONU (Organização das Nações Unidas), aproximadamente 82 pessoas sobreviveram. Parte delas recebe atendimento médico e psicológico, enquanto as equipes de resgate continuam as buscas pelos desaparecidos.
Relatos de sobreviventes indicam que a embarcação estava superlotada e começou a perder estabilidade pouco depois de iniciar a travessia. O excesso de passageiros é apontado como um dos principais fatores que contribuíram para o naufrágio.
O número de mortos ainda pode aumentar. Isso porque o balanço oficial considera apenas os corpos identificados e sepultados pelas autoridades locais. Outras vítimas teriam sido enterradas pelos próprios migrantes, sem registro formal.
A embarcação seguia por uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo, utilizada por milhares de africanos que deixam seus países em busca de trabalho e melhores condições de vida, principalmente na Arábia Saudita e em outras nações do Golfo.
O trajeto atravessa o estreito de Bab el-Mandeb, que separa o continente africano da Península Arábica. Apesar da curta distância entre as margens, a travessia costuma ser realizada em barcos precários, frequentemente superlotados e sem equipamentos adequados de segurança.
A pobreza, os conflitos armados e a falta de oportunidades econômicas estão entre os fatores que levam milhares de pessoas a enfrentar os riscos da viagem. Em 2025, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram nessa mesma rota.
As operações de busca continuam, enquanto organismos internacionais reforçam a necessidade de ampliar as alternativas de migração segura e combater as redes que exploram pessoas durante essas travessias. (Com Agência Brasil)
