O avanço da chikungunya em Dourados já pressiona a rede de saúde. Boletim divulgado nesta segunda-feira (23) aponta 648 casos confirmados, além de 1.426 notificações e outros 576 exames em análise.
Até agora, quatro mortes foram registradas, todas na Reserva Indígena.
O aumento dos casos, inicialmente concentrado nas aldeias Jaguapiru e Bororó, começa a se espalhar para bairros da cidade, como Jardim dos Estados, Novo Horizonte e região do Jóquei Clube.
Diante do cenário, uma força-tarefa foi mobilizada por autoridades municipais, estaduais e federais.
As ações incluem reforço no combate ao mosquito Aedes aegypti e a implantação, ainda nesta semana, das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), estratégia do Ministério da Saúde que utiliza o próprio mosquito para espalhar o produto em criadouros.
Apesar das medidas, especialistas alertam que o controle da doença depende, sobretudo, da população. A recomendação é eliminar recipientes que acumulam água, já que o mosquito pode se proliferar rapidamente — e seus ovos resistem por longos períodos em ambientes secos.
O infectologista Rivaldo Venâncio chamou atenção para o impacto da doença no sistema de saúde. Segundo ele, pacientes com chikungunya tendem a procurar atendimento com mais frequência do que os casos de dengue, o que amplia a pressão sobre as unidades. Idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis a formas graves.
Diante do avanço, o Governo do Estado também articula a inclusão de Mato Grosso do Sul na estratégia nacional de vacinação contra a chikungunya. A vacina já foi aprovada pela Anvisa, mas ainda não há previsão para início da distribuição.
