A baixa cobertura da segunda dose da vacina contra o sarampo acendeu um alerta em Mato Grosso do Sul. Enquanto 97,10% do público-alvo recebeu a primeira aplicação, apenas 81,79% completaram a segunda etapa da imunização, segundo dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde), atualizados até 1º de setembro de 2026.
A diferença de mais de 15 pontos percentuais entre as duas doses preocupa diante do aumento de casos da doença em outros países. Embora Mato Grosso do Sul não tenha registrado nenhuma confirmação de sarampo neste ano, a circulação internacional do vírus mantém o risco de novos casos, especialmente em regiões de fronteira.
Em 2026, o Estado contabilizou 24 notificações suspeitas. Desse total, 23 foram descartadas e uma permanece em investigação.
Os últimos registros confirmados ocorreram em 2020, quando dez pessoas foram diagnosticadas com a doença em Campo Grande. No ano anterior, houve quatro confirmações, sendo duas na Capital e duas em Três Lagoas.
O cenário internacional reforça a preocupação. Os Estados Unidos já registraram quase 4 mil casos de sarampo em 2026, o maior número anual em mais de 35 anos. Mais de 90% das ocorrências envolvem pessoas não vacinadas ou sem comprovação de imunização.
Segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos confirmados nas Américas neste ano. No Brasil, foram contabilizados 61 casos importados ou associados à transmissão iniciada fora do país.
Vacinação incompleta aumenta risco de transmissão
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar, que pode provocar complicações graves, como pneumonia e encefalite. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis.
A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, disponibilizada gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Pelo calendário nacional, crianças devem receber a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos precisam ter duas doses registradas, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem comprovar pelo menos uma aplicação.
Para pessoas com 60 anos ou mais, a vacinação não faz parte da rotina nacional, mas situações específicas podem ser avaliadas pelos serviços de saúde.
A orientação é que pais e responsáveis confiram a caderneta das crianças e que adolescentes e adultos também verifiquem se receberam as doses recomendadas.
Escolas terão vacinação em novembro
Em Mato Grosso do Sul, uma nova mobilização está prevista para ocorrer entre os dias 3 e 13 de novembro. A estratégia Aluno Imunizado deverá atender escolas municipais, estaduais e particulares, com aplicação de vacinas e emissão de comprovantes de atualização vacinal.
Durante a campanha de multivacinação realizada em outubro, foram aplicadas 84.439 doses de diferentes imunizantes no Estado. Desse total, aproximadamente 4.262 foram da tríplice viral, considerando a primeira e a segunda aplicações.
A prevenção também foi ampliada em territórios indígenas, com orientações específicas para a aplicação de uma dose adicional, chamada dose zero, em crianças de seis a 11 meses. Essa aplicação não substitui as doses previstas no calendário regular.
Além da vacinação, a identificação rápida de possíveis casos é considerada essencial para evitar a disseminação da doença.
Os principais sintomas incluem febre, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Pessoas com esses sinais devem procurar atendimento médico, informar possíveis viagens recentes ou contato com casos suspeitos e evitar contato com outras pessoas até receber orientação profissional.
A recomendação das autoridades sanitárias é manter o esquema vacinal atualizado, principalmente diante do aumento da circulação do vírus em outros países e da possibilidade de reintrodução do sarampo em Mato Grosso do Sul
