O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, negou a um tribunal de Madri ter cometido fraude fiscal intencionalmente no dia da abertura de seu julgamento por supostamente não declarar renda à Receita Federal da Espanha.
O caso do italiano, um dos cotados para assumir o comando da seleção brasileira, é o mais recente de uma série de casos desse tipo visando figuras esportivas no país. O julgamento começou nesta quarta-feira e seguirá na quinta, quando será promulgada a sentença.
Os promotores pedem uma pena de prisão de quatro anos e nove meses para o italiano de 65 anos, suspeito de não declarar mais de um milhão de euros (pouco mais de R$ 6 milhões) ganhos de direitos de imagem em 2014 e 2015, durante sua primeira passagem pelo clube merengue.
A acusação argumenta que Ancelotti havia relatado apenas o salário que recebeu do clube e omitido a renda de seus direitos de imagem em suas declarações de imposto de renda durante esse período.
Segundo a imprensa espanhola, que credita os cálculos ao Ministério Público, além da dívida tributária cobrada pelas autoridades, o treinador deve pagar uma sobretaxa de 243.593 euros e mais 47.298 euros de juros. Além da multa, o MP exige que Ancelotti pague multas que totalizam 3.186.237 euros. (o equivalente a R$ 19,6 milhões).
Os promotores alegam que ele criou um sistema "confuso" e "complexo" de empresas de fachada para esconder seus ganhos extras durante esse período de seus direitos de imagem e outras fontes, como imóveis.
Ancelotti disse ao Tribunal Superior de Justiça de Madri que esse sistema de pagamento lhe foi proposto pelo Real Madrid e que "todos os jogadores o fazem", assim como outro ex-técnico, José Mourinho.
— Quando o clube me sugeriu, coloquei o Real Madrid em contato com meu consultor. Não lidei com isso porque nunca fui pago dessa forma — disse ele. — Nunca percebi que algo não estava certo — acrescentou, dizendo que "nunca considerou cometer fraude".
Ancelotti chegou ao tribunal com sua esposa Mariann Barrena e seu filho Davide, que atua como assistente técnico no Real Madrid. O julgamento deve durar dois dias. As partes podem chegar a um acordo extrajudicial a qualquer momento do processo.
Casos semelhantes anteriores envolvendo jogadores de futebol resultaram em sentenças suspensas, geralmente por meio de um acordo extrajudicial.
Ancelotti disse ao tribunal que nunca percebeu que a empresa que ele havia criado para transferir esses direitos a ele permitiu que ele pagasse menos impostos.
— Naquela época, todos os jogadores e treinadores estavam fazendo dessa forma, parecia a coisa certa a fazer — disse ele. (Com O Globo)