O receio de que os juros permaneçam elevados no Brasil provocou uma onda de vendas de ações nesta segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Empresas do varejo, saúde e construção civil estão entre as mais afetadas, com perdas que ultrapassaram 50% durante as negociações.
Por volta das 13h30, as ações do Magazine Luiza despencavam 56,81%, enquanto a C&A recuava 48,91%.
O Assaí registrava queda de 39,98%, seguido por Renner, com 35,18%, e Azzas, com 35,14%.
A pressão também atingiu outros setores. A Hapvida perdeu 45,18% de seu valor de mercado, enquanto a Cosan, empresa com elevado endividamento, registrava desvalorização de 48,26%. Entre os bancos, o BTG Pactual caía 30,30% e o Banco do Brasil, 27,18%.
O movimento reflete a preocupação dos investidores com a política fiscal do próximo mandato de Lula. O temor é de que a manutenção de gastos públicos elevados dificulte o controle da dívida e prolongue o período de juros altos, encarecendo o crédito e prejudicando o consumo.
Na contramão, empresas exportadoras registraram valorização, beneficiadas pela disparada do dólar. A Suzano avançava 8,49%, enquanto a Vale subia 5,34%.
A turbulência levou a B3 (Bolsa de Valores do Brasil) a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas.
A reação do mercado ocorre após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), resultado que contrariou as expectativas de parte dos investidores. As oscilações refletem as negociações ao longo do pregão e não representam necessariamente os preços de fechamento. (Jornal de Brasília)
