O próximo presidente da República poderá enfrentar um cenário de forte pressão sobre as contas públicas.
A dívida brasileira corre o risco de alcançar 100% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2029, caso não sejam adotadas medidas para controlar os gastos e equilibrar as finanças do país.
A projeção da Tendências Consultoria representa um desafio para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25).
O principal problema está no crescimento das despesas obrigatórias, como Previdência, benefícios sociais e gastos vinculados ao salário mínimo. Essas despesas comprometem grande parte do orçamento e dificultam a redução do endividamento.
Para estabilizar a dívida, estimativas apontam a necessidade de um superávit primário próximo de 2,5% do PIB, ou seja, arrecadar mais do que gastar, sem considerar os juros da dívida.
Propostas dos candidatos
Lula defende a manutenção do atual arcabouço fiscal e prevê alcançar superávit de 1,3% do PIB até 2030. Já Flávio Bolsonaro propõe um ajuste de 1,5% do PIB nos primeiros 18 meses de governo, acompanhado de redução de impostos e mudanças na estrutura administrativa.
As propostas, entretanto, são consideradas insuficientes para conter o avanço da dívida sem reformas mais profundas nas despesas públicas.
Entre os principais desafios estão possíveis mudanças nas regras previdenciárias, nos benefícios assistenciais e nos gastos obrigatórios com saúde e educação, medidas que dependem de aprovação do Congresso Nacional.
A projeção de dívida equivalente a 100% do PIB não é uma certeza, mas um cenário de risco caso o próximo governo não consiga promover ajustes fiscais.
Sem mudanças estruturais, o crescimento do endividamento poderá reduzir a capacidade de investimento do país e ampliar a pressão sobre as contas públicas nos próximos anos. (Infomoney)
