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Política

STF manda soltar ex-prefeito de Belford Roxo preso em operação da PF

Márcio Canella responderá em liberdade com medidas cautelares

Conjuntura Online
12/07/26 às 07h24
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O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella. (Foto: Reprodução)

O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante durante uma operação da PF (Polícia Federal) no Rio de Janeiro.

A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes na noite de sexta-feira (10), e a saída do político do sistema prisional está prevista para este sábado (11).

Canella estava preso desde terça-feira (7), após agentes da PF encontrarem um fuzil calibre 5.56 no veículo em que ele estava durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão da sexta fase da Operação Unha e Carne.

Além do ex-prefeito, um policial militar preso na mesma ocorrência também foi beneficiado pela decisão.

Medidas cautelares

Ao substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, Moraes determinou que Canella use tornozeleira eletrônica, entregue o passaporte à Justiça e tenha o porte de arma suspenso. Com isso, o ex-prefeito responderá ao processo em liberdade.

Na decisão, o ministro destacou que a alegação da defesa de que o fuzil pertence ao policial responsável pela segurança de Canella ainda deverá ser esclarecida ao longo das investigações.

Em nota, a defesa afirmou que a prisão "não se sustentava", alegando que a arma é registrada em nome do segurança do político e que a documentação comprobatória foi apresentada ao STF.

Operação Unha e Carne

A prisão ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, a organização investigada teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações começaram após um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontar movimentações financeiras consideradas atípicas.

Nesta etapa da operação, a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e no interior do estado. Também foram apreendidos armas, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo. A Justiça ainda determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.

Canella era alvo apenas de um mandado de busca e apreensão, mas acabou preso em flagrante após a localização do armamento.

Investigação

De acordo com a PF, Canella é investigado por suspeita de atuar como um dos elos políticos do esquema criminoso. Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que forem identificados durante o andamento das apurações.

A operação integra as medidas determinadas pelo STF no âmbito da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à PF a condução de investigações sobre possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.

Trajetória política

Márcio Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo, em 2012, e depois exerceu três mandatos como deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Entre 2017 e 2019, licenciou-se do mandato para assumir a vice-prefeitura do município. Em 2024, foi eleito prefeito de Belford Roxo, mas renunciou ao cargo em abril deste ano para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.

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