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Política

EUA ameaçam vizinhos que não o ajudarem a combater o narcotráfico

O Departamento de Guerra dos EUA quer buscar cooperação em 'boa-fé' de vizinhos com agenda do governo Trump, mas menciona ação contra Maduro como exemplo

Conjuntura Online
26/01/26 às 09h19
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O porta-aviões USS Gerald R. Ford aguarda no Caribe, em frente ao litoral da Venezuela (Foto: Getty Images)

O governo Trump quer expulsar seus adversários —Rússia, China e o narcotráfico— do Hemisfério Ocidental e ameaçou empregar ação militar contra países que não cooperarem ou obstruam seus objetivos.

O intuito é assegurar para assegurar plena dominância militar e comercial "do Ártico à América do Sul", principalmente na Groenlândia, no Golfo da América e no Canal do Panamá, segundo a nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada pelo Departamento de Guerra norte-americano na última sexta-feira (23).

A Estratégia Nacional de Defesa serve como um guia das políticas e mobilizações militares planejadas para os próximos anos do governo Trump e complementa a Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em dezembro —enquanto este delineia os objetivos da gestão Trump, o primeiro fala sobre como os implementar. O novo documento detalhou o que os EUA pensam por "este é o nosso hemisfério" —dito em publicação dias após a prisão de Maduro.

"Defenderemos de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. (...) Atuaremos de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados. E, quando isso não ocorrer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas para a aplicar com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação Resolução Absoluta [que resultou na prisão de Maduro]", afirmou o Departamento de Guerra no documento, assinado pelo secretário Pete Hegseth.

Ao mesmo tempo em que fala em cooperação na base da "boa-fé" com os vizinhos, o governo Trump deixou a porta aberta para ações militares onde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos, e utilizou a operação militar em Caracas que depôs o ditador venezuelano Nicolás Maduro como exemplo de ações que o Exército norte-americano pode empregar no futuro.

A política de defesa do 2º mandato do governo Trump, segundo o documento do Departamento de Guerra, busca a "paz por meio da força" e começa nas fronteiras dos EUA, passa pelo Domo de Ouro e termina no monitoramento e contenção de seus rivais globais, como a China e a Rússia, contando com a ajuda de aliados ao redor do mundo.

"Deter" a China por meio da força e da contenção, mas sem buscar confronto direto;
"Delegar" Rússia e a Coreia do Norte, identificadas como ameaças globais, para seus aliados cuidarem —Otan e Coreia do Sul e Japão, respectivamente;
"Narcoterrorismo" como alvo militar: EUA se reservou o direito de ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas;
Vai obrigar Canadá e México a ajudar a fechar as fronteiras dos EUA para a entrada de imigrantes ilegais e de "narcoterroristas";
Aumentar a responsabilidade dos aliados no "fardo da segurança compartilhada";

China

A China é tratada como o principal rival dos EUA no palco mundial e, por isso, é necessário "deter" o país de Xi Jinping "por meio da força, não do confronto", ou seja, sem entrar em guerra. No entanto, fala que não é necessário "dominar nem estrangular" Pequim para atingir esse objetivo, e indicou que vai buscar um arranjo de "cada um no seu quadrado" com o líder chinês para que cada um possa ir atrás de seus objetivos sem se chocar. Isso seria buscado por meio de dois fatores:

Esforços diplomáticos com Xi Jinping;
Aumentar a presença militar no Pacífico Ocidental —entre o Japão e as Filipinas, passando por Taiwan— para se contrapor à rápida mobilização chinesa na região.

"China e suas forças armadas tornaram-se cada vez mais poderosas na região do Indo-Pacífico, a maior e mais dinâmica área de mercado do mundo, com implicações significativas para a segurança, a liberdade e a prosperidade dos próprios americanos. (...) Vamos manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico. (...) Isso não exige mudança de regime nem algum outro tipo de luta existencial. Em vez disso, é possível alcançar uma paz aceitável, em termos favoráveis aos americanos, mas que a China também possa aceitar e sob os quais consiga viver", afirmou o documento.

O presidente Donald Trump busca uma "paz estável, comércio justo e relações respeitosas" com a China, segundo o documento. No entanto, região do Pacífico Oriental, que contém Taiwan, Hong Kong e o Japão, em breve será responsável por mais da metade da Economia mundial, por isso a importância de deter a China nesse palco.

Segurança nacional dos EUA

O governo Trump considera primordial garantir o "acesso militar e comercial" nas regiões do Ártico, do Golfo das Américas, do Canal do Panamá e em outras regiões da América do Sul, assim como visto em algumas ofensivas já em ação, como a tentativa de adquirir a Groenlândia e a investida contra a influência chinesa no canal marítimo da América Central.

O governo Trump também quer "Fechar as fronteiras e deportar" imigrantes ilegais, e quer a ajuda do Canadá e do México para isso.

Contra o narcoterrorismo, o Departamento de Guerra se reservou o direito de empregar "ações militares unilaterais" contra narcotraficantes, mas disse que quer ajudar a desenvolver a capacidade de aliados de desmantelar cartéis de drogas latino-americanos.

O documento também tratou do Domo de Ouro, e afirmou que o Canadá terá um papel importante para fechar as defesas aéreas perto dos EUA.

O governo Trump também fala em "modernizar e adaptar" suas forças nucleares e fazer uma retomada da indústria militar dos EUA. (Com g1)

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