Em meio à crise institucional, desgaste político e desempenho insatisfatório nas pesquisas de intenção de voto — que indicam, inclusive, derrota em cenários de segundo turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL) —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta semana para a primeira viagem internacional de 2026.
Com destino ao Panamá, Lula participa, a partir de terça-feira (27), do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, em uma agenda que o Palácio do Planalto trata como estratégica para reposicionar a imagem do governo no cenário externo.
A ida ocorre em um momento de pressão interna, com queda de popularidade e críticas crescentes à condução política e econômica do terceiro mandato.
A visita ao país também marca a primeira viagem internacional do presidente neste ano. Lula esteve no Panamá pela última vez em 2007, durante o segundo mandato. O encontro é organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e tem como foco debates sobre integração regional, investimentos e desafios econômicos comuns aos países latino-americanos.
Além de Lula, são esperados no evento os presidentes Rodrigo Paz (Bolívia), Daniel Noboa (Equador) e José Antonio Kast (Chile), além da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. O encontro também deve reforçar a aproximação do Panamá com o Mercosul, já que o país é o primeiro da América Central a se associar formalmente ao bloco.
Venezuela divide líderes
A situação da Venezuela deve ser um dos principais pontos de divergência entre os líderes presentes. O governo brasileiro tem adotado postura crítica em relação à prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e considera que o país vive um cenário de estabilidade institucional.
O Panamá, por outro lado, mantém alinhamento com a posição norte-americana. Em declaração recente, o presidente panamenho José Raúl Mulino afirmou que a Venezuela precisa de um governo democrático, reforçando o distanciamento político entre os dois países.
Agenda no Panamá
Durante a passagem pelo país, Lula terá uma reunião bilateral com Mulino e também deve visitar o Canal do Panamá, considerado um dos principais ativos estratégicos da economia local.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a agenda inclui discussões sobre perspectivas econômicas, papel da América Latina no cenário global, inteligência artificial, comércio internacional, energia, mineração, turismo e segurança alimentar.
“É uma agenda ampla para discutir os principais desafios da região na área econômica”, afirmou o embaixador Alexandre Ghisleni, diretor do Departamento de Política Econômica do Itamaraty.
Menos viagens em ano eleitoral
Em meio ao calendário eleitoral de 2026, Lula pretende reduzir o ritmo de viagens internacionais. A expectativa é que o presidente visite apenas quatro países ao longo do ano.
O número é bem inferior ao registrado em 2025, quando o presidente esteve em 16 nações diferentes e passou 52 dias fora do país, segundo levantamento do próprio Palácio do Planalto.
Já em 2023, primeiro ano do terceiro mandato, Lula passou 75 dias no exterior, com visitas a 24 países, em uma estratégia de retomada do protagonismo internacional do Brasil.
Agora, com cenário político mais adverso e sinais de fragilidade eleitoral, a diplomacia volta a ser usada como instrumento de reconstrução de imagem e capital político, tanto no exterior quanto, indiretamente, junto ao eleitorado interno. (Com informações do R7)
