A imprensa internacional noticiou nesta quarta-feira o fim do julgamento do caso Marielle Franco na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).
Por unanimidade, os ministros condenaram os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro), e João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal, pela acusação de planejar o homicídio da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018.
O britânico The Guardian escreveu que o crime "foi um dos assassinatos mais chocantes e de maior repercussão na história do Rio e atraiu atenção internacional".
"O caso também é amplamente visto por especialistas em segurança e ativistas de direitos humanos como um exemplo alarmante de como os laços entre política, crime e polícia estão profundamente enraizados no Rio, atingindo até mesmo os mais altos escalões da administração pública", destacou.
Primeiro dia do julgamento do caso Marielle Franco no STF
O espanhol El Pais ressaltou que o caso Marielle "contém todos os elementos de um thriller televisivo, abriu uma janela para o submundo desagradável da política municipal e estadual do Rio de Janeiro — um reino onde, por décadas, o crime organizado manteve laços estreitos com políticos e forças de segurança para fazer negócios, garantir redutos eleitorais e assegurar a impunidade".
"Os irmãos, agora condenados, lideravam um grupo paramilitar — termo usado no Rio para máfias compostas por policiais que, nas horas vagas, atuavam em atividades criminosas, especializando-se em extorsão e esquemas imobiliários. A confissão do pistoleiro que disparou o gatilho foi crucial para identificar e punir os mentores do crime. Os juízes afirmaram que a maior parte de seu depoimento foi corroborada por documentos e depoimentos de testemunhas", disse a reportagem.
A agência Reuters afirmou que a "decisão encerra um processo de oito anos para levar à Justiça os responsáveis ??pelo assassinato de Marielle, um crime de grande repercussão, em um país onde assassinatos frequentemente ficam impunes".
"Os irmãos Brazão, que estavam entre os políticos mais poderosos do Rio de Janeiro, ganharam milhões de dólares com um esquema que se apropriou de terras públicas na zona oeste da cidade para projetos imobiliários privados", apontou. (Com O Globo)
