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Política

Com Congresso mais à direita, Lula tenta antecipar votações de pautas 

Base governista quer aproveitar os últimos meses do ano para aprovar propostas que podem enfrentar maior resistência na próxima legislatura

Conjuntura Online
27/10/26 às 09h57
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Plenário da Câmara dos Deputados. (Foto: Reprodução)

A nova composição do Congresso Nacional, marcada pelo fortalecimento da oposição, levou aliados do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a defenderem a antecipação de votações estratégicas ainda em 2026.

A avaliação é de que o governo terá mais dificuldades para aprovar determinadas propostas a partir de fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares assumem seus mandatos.

Entre as prioridades estão a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, a indicação de um ministro para o STF (Supremo Tribunal Federal) e a definição do Orçamento de 2027, que precisará contemplar compromissos assumidos por Lula durante a campanha eleitoral.

A proposta da Segurança Pública já está pronta para votação no plenário do Senado, mas enfrenta divergências relacionadas à redução da maioridade penal. A aprovação também abriria caminho para a criação de um ministério específico para a área, conforme anunciado pelo presidente.

Outra preocupação envolve a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF. Após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado, governistas consideram que a atual composição da Casa oferece melhores condições para aprovar uma nova indicação, que depende de pelo menos 41 votos.

Disputa pelo comando do Congresso

A articulação também passa pela permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando do Senado. Ambos apoiaram Lula na campanha e podem enfrentar candidaturas ligadas à direita nas eleições internas de fevereiro de 2027.

Nesse cenário, o Palácio do Planalto poderá negociar apoio político por meio de emendas parlamentares e espaços no governo, buscando preservar sua capacidade de articulação no Legislativo.

Paralelamente, integrantes do Centrão pretendem avançar em discussões sobre mudanças no sistema eleitoral, redução da maioridade penal e uma possível reforma do Judiciário.

Na área econômica, o desafio será acomodar as promessas eleitorais no Orçamento de 2027. Parlamentares governistas já admitem a necessidade de ajustes fiscais ou alterações nas regras orçamentárias para viabilizar as medidas.

A estratégia é aproveitar o período restante da atual legislatura para encaminhar decisões que, na avaliação dos aliados de Lula, poderão enfrentar obstáculos maiores com a nova correlação de forças no Congresso.

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