A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master, no STF (Supremo Tribunal Federal), ocorreu em meio a questionamentos sobre sua atuação no processo. Nas últimas semanas, vieram à tona episódios e registros que ampliaram o debate sobre a condução do caso na Corte.
Entre os elementos apontados estão mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de uma viagem internacional feita pelo ministro em companhia de advogado ligado à instituição financeira e uma sociedade empresarial que, segundo reportagens, teria conexões com o grupo investigado.
Relatoria sob questionamento
Toffoli assumiu a relatoria do processo no fim de novembro, após sorteio interno. Cabe ao relator analisar os autos, decidir medidas iniciais e elaborar voto para julgamento pelo colegiado.
A condução do caso passou a ser alvo de críticas após o ministro determinar sigilo total nas investigações e ordenar que decisões relacionadas ao banco, que tramitavam no TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) e em instâncias inferiores, fossem encaminhadas ao STF. A medida foi vista por críticos como incomum no contexto do processo.
Apesar das críticas, o ministro sustenta que não há impedimento ou suspeição que comprometa sua atuação.
Viagem a Lima
Outro ponto que ganhou repercussão foi uma viagem realizada por Toffoli a Lima, no Peru, dias antes da imposição do sigilo ao caso. O ministro esteve na capital peruana para acompanhar a final da Libertadores e utilizou um jatinho particular.
No voo, estava o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, ex-diretor do Banco Master. A coincidência temporal entre a viagem e as decisões tomadas posteriormente no processo reforçou questionamentos públicos sobre a situação.
Mensagens e sociedade empresarial
Também entraram no radar mensagens localizadas no celular de Vorcaro durante investigação da Polícia Federal, além de informações sobre sociedade em empreendimento do setor de turismo que teria ligação com o grupo empresarial citado no processo.
Os episódios não resultaram, até o momento, em decisão judicial que reconheça irregularidade na conduta do ministro, mas ampliaram o debate sobre transparência e conflitos de interesse em processos de grande repercussão.
O caso segue sob análise no Supremo, enquanto as conexões reveladas nos bastidores continuam sendo examinadas no âmbito das investigações. (Com informações do portal Metrópoles)
