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Política

Com risco de propaganda antecipada, samba sobre Lula chega à Sapucaí

Desfile com presença de Janja e ministros ocorre sob alerta do TSE, e cautela de aliados em ano pré-eleitoral

Conjuntura Online
15/02/26 às 08h22
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Desfile polêmico agita o carnaval carioca neste domingo. (Foto: Reprodução)

A Marquês de Sapucaí recebe neste domingo (15) um dos desfiles mais politizados dos últimos anos. A Acadêmicos de Niterói leva para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma narrativa que percorre a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da infância pobre no Nordeste até a chegada ao Palácio do Planalto, passando por programas sociais, disputas eleitorais e episódios recentes da política nacional.

O samba exalta o presidente como símbolo de ascensão social e combate à desigualdade. A narrativa começa com referências à infância no sertão, à migração para o Sudeste e ao trabalho como metalúrgico no ABC paulista, antes de chegar às greves sindicais e à fundação do Partido dos Trabalhadores.

Ao longo do desfile, alas e carros alegóricos fazem referência a programas sociais, à ampliação do acesso à universidade e ao discurso de inclusão que marcou os governos petistas.

A parte final do enredo incorpora episódios mais recentes da política brasileira e assume um tom explícito de crítica ao bolsonarismo. O samba faz referências a “mitos falsos”, a ataques à democracia e a tentativas de ruptura institucional após as eleições de 2022.

Alegorias e fantasias devem retratar o período de polarização política, com menções simbólicas a fake news, ao negacionismo e aos atos golpistas, antes de encerrar a narrativa com a volta de Lula ao poder e a promessa de reconstrução do país.

A escola abre a primeira noite de apresentações do Grupo Especial, com a presença confirmada da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, no último carro alegórico. O presidente deve assistir à apresentação de um camarote, ao lado de convidados e aliados políticos.

TSE

A homenagem, rara para um presidente em exercício, transformou o desfile em um episódio de repercussão política nacional. O Tribunal Superior Eleitoral foi acionado por adversários do governo, que alegaram propaganda eleitoral antecipada. A corte decidiu permitir o desfile, mas fez um alerta: a autorização não representa salvo-conduto para eventuais abusos.

O entendimento foi de que manifestações culturais são legítimas, mas podem ser analisadas posteriormente caso se identifiquem irregularidades, como uso indevido de poder político ou econômico.
A advertência influenciou o comportamento de aliados. Nos bastidores, a orientação de setores do PT foi de cautela. Parlamentares foram aconselh

ados a evitar participação ostensiva no desfile, para reduzir riscos jurídicos e questionamentos políticos. Ainda assim, o próprio presidente convidou líderes da base para acompanhá-lo na Sapucaí, em um camarote da prefeitura do Rio, com custos de viagem e hospedagem pagos pelos próprios convidados.

Mesmo com o convite, a expectativa entre aliados era de presença reduzida de ministros e parlamentares. Parte da base governista avaliou que a homenagem poderia gerar desgaste em um momento em que o governo tenta preservar alianças e reduzir tensões com o Congresso e o Judiciário.

Entre os nomes que confirmaram participação ao lado de Janja no último carro alegórico estão os ministros Macaé Evaristo, Alexandre Padilha, Margareth Menezes, Esther Dweck, Camilo Santana, Jader Filho, Sonia Guajajara e Rui Costa, além da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Também são esperados deputados e líderes partidários convidados pelo Palácio do Planalto para acompanhar o desfile nos camarotes.

Transmissão

A politização do desfile chegou também à cobertura televisiva. A TV Globo definiu um protocolo interno para a transmissão da apresentação da Acadêmicos de Niterói. A orientação é que narradores e comentaristas evitem menções diretas ao presidente durante o desfile, para reduzir riscos jurídicos e evitar acusações de promoção política em rede nacional. A medida vale apenas para a escola que homenageia Lula. (Estado de Minas)

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