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Campo Grande tem 20% de aves migratórias às vésperas da COP15

Capital sul-mato-grossense reúne rica diversidade de aves graças às áreas verdes, parques e corredores ecológicos.

Conjuntura Online
09/03/26 às 07h58
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O príncipe, ave migratória avistada em Campo Grande. (Foto: Simone Mamede/Reprodução).

Às vésperas da COP15, conferência internacional voltada à conservação das espécies migratórias que será realizada em Campo Grande, especialistas destacam a importância da cidade para a biodiversidade.

Levantamentos indicam que a capital sul-mato-grossense abriga cerca de 400 espécies de aves nas áreas urbana e periurbana, sendo aproximadamente 20% migratórias.

Reconhecida pela presença de áreas verdes, parques ecológicos, cursos d’água e vegetação que atravessa bairros inteiros, Campo Grande se tornou um refúgio para diversas espécies.

Esse conjunto de ambientes oferece locais de descanso, alimentação e, em alguns casos, reprodução para aves que percorrem longas distâncias pelo continente.

A pesquisadora e educadora ambiental Maristela Benites, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, ressalta que a diversidade de aves na cidade é expressiva. “Campo Grande tem aproximadamente 400 espécies de aves somente na área urbana e periurbana e podemos afirmar que cerca de 20% delas são migratórias”, afirma.

Segundo ela, a migração é um fenômeno biológico natural que envolve deslocamentos periódicos de populações animais entre áreas de reprodução e locais utilizados em outras fases do ciclo de vida, geralmente em busca de alimento, clima favorável ou melhores condições ambientais.

Entre as espécies que passam por Campo Grande estão as migrantes neárticas, vindas da América do Norte para escapar do inverno do hemisfério norte, observadas principalmente entre agosto e abril. Nesse grupo estão aves como maçaricos, sovi-do-norte, águia-pescadora e o falcão-peregrino, considerado o animal mais rápido do planeta.

Também ocorrem na região as migrantes austrais, que se deslocam dentro da América do Sul em busca de temperaturas mais amenas, geralmente entre abril e novembro, como o príncipe e a calhandra-de-três-rabos.

Tesourinha, bem-te-vi-rajado e o suiriri

Há ainda espécies que se reproduzem em Campo Grande e em outras regiões do sul e sudeste do Brasil e depois seguem rumo ao norte do continente, muitas vezes até a Amazônia. Entre elas estão a tesourinha, o bem-te-vi-rajado e o suiriri, comuns na cidade entre julho e março ou abril.

Maristela destaca que esses deslocamentos seguem ciclos naturais repetidos anualmente e dependem da existência de locais com abrigo, alimento e água. “Compreender o movimento das espécies migratórias é um bom exercício para entender que, para a natureza, não há fronteiras políticas, mas limites relacionados às condições e recursos para a sobrevivência”, explica.

A gerente de Arborização da Semades, Dayane Zanela, ressalta que a arborização urbana e as áreas de preservação permanente funcionam como infraestrutura ecológica fundamental para essas espécies. “Árvores, parques e corredores verdes oferecem abrigo, locais de repouso e suporte alimentar durante os deslocamentos”, afirma.

Segundo ela, o fortalecimento da infraestrutura verde também contribuiu para o reconhecimento de Campo Grande como Capital do Turismo de Observação de Aves, integrando a conservação da biodiversidade às políticas de planejamento urbano e adaptação climática.

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