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Morre aos 30 anos pesquisador indígena que fazia doutorado em Paris

Mairu Kuady unia vida acadêmica e defesa dos povos originários com orgulho das raízes

Conjuntura Online
15/06/26 às 13h05
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Mairu Hakuwi Kuady foi um dos primeiros estudantes Karajá a ingressar no ensino superior {Foto: Arquivo Pessoal/Mairu Kuady}

O indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá morreu aos 30 anos de idade. Ele era doutorando em Direito e ativista dos povos originários, reconhecido pela tragetória acadêmica em defesa da produção de conhecimento a partir das perspectivas indígenas. A causa da morte não foi divulgada.

Natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, no Mato Grosso, Mairu era graduado em Relações Internacionais pela UFT {Universidade Federal do Tocantins}, mestre em Direito pela UnB {Universidade de Brasília} e fazia doutorado em Paris, na França. Para manter os estudos durante o ensino médio, ele chegou a limpar banheiros.

O Ministério dos Povos Indígenas lamentou a morte do intelectual indígena neste domingo {14]} e destacou que ao longo de sua trajetória Mairu demonstrou que "a ocupação dos espaços acadêmicos e institucionais pode caminhar lado a lado com o fortalecimento das identidades, das línguas e dos conhecimentos ancestrais".

Mairu trabalhava como diretor geral de operações da empresa Biofix Brasil. O pesquisador foi inspiração para a comunidade indígena e se tornou referência para jovens de diferentes etnias.

Legado intelectual

Mairu atuou como pesquisador, membro do OBID/UnB {Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas}, coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da língua e da cultura do povo Iny Karajá, muito especial para mim e inspirador para o meu povo", comentou.

Mairu era convidado com frequência para compor mesas e dar palestras sobre a cultura dos povos indígenas e as organizações sociais. Ele relatou que limpava banheiros para pagar os estudos após ganhar uma bolsa parcial em uma escola particular de Goiás, ainda no segundo ano do ensino médio. "Limpava banheiros de segunda a sexta-feira, além de domingos e feriados", disse.

Sua atuação contribuiu para ampliar a visibilidade das pautas indígenas e fortalecer o protagonismo dos povos originários na produção de conhecimento e na defesa de seus direitos.

"Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos", declarou Mairu. {Com g1 - Tocantins}

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