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Economia

BC deve manter juros altos por mais tempo, indica Galípolo

O presidente do BC diz que Brasil precisa de "dose de remédio" mais elevada em comparação a outros países dados os cenários geopolítico e econômico

Conjuntura Online
24/07/26 às 17h11
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Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo • 27/03/2025 (Foto: Adriano Machado/Reuters)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24) que a instituição pretende manter a taxa básica de juros em patamar restritivo por um período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta.

Durante participação em eventos com investidores e empresários em São Paulo, o presidente da autarquia disse que o BC tem tido uma postura direcionada a coletar dados por mais tempo e destacou que, embora os efeitos do aperto monetário já estejam refletindo gradativamente sobre a atividade econômica, o BC não tomará decisões precipitadas com base em dados isolados do indicador inflacionário.

"Não vamos reagir em função de um dado específico, com a convicção de que, sim, com uma taxa de juros num patamar que está e se faz sentir na economia, precisamos de uma dose de remédio mais elevada em comparação com nossos pares", disse Galípolo, reforçando que o BC vai seguir acompanhando os dados "com a convicção de que o cenário atual demanda juros num patamar mais restritvio".

Além do alerta sobre a manutenção da Selic em patamar contracionista, Gabriel Galípolo rebateu a tese recorrente de que o BC estaria superestimando a visão do mercado financeiro ao conduzir suas pesquisas de expectativa.

O presidente usou dados da autarquia para demonstrar que as projeções coletadas junto ao setor produtivo costumam ser mais conservadoras do que as da Faria Lima.

"Por trás da crítica vem muitas vezes uma espécie de correlação vulgar de entender que membros do mercado que respondem ao Focus teriam alguma intenção em responder para induzir ou influenciar a política monetária de forma a querer uma taxa de juros mais elevada", pontuou Galípolo. 

Ele explicou que, ao analisar a pesquisa Firmus — levantamento do BC focado no setor empresarial —, as estimativas de inflação vêm sistematicamente mais altas do que as reportadas no Boletim Focus.

A lógica teórica de que empresários prefeririam juros mais baixos para baratear o crédito não se sustenta no diagnóstico real, segundo Galípolo, já que juros mais altos também reduzem o valor presente dos ativos das próprias companhias.

Galípolo também abordou como choques estruturais de oferta e tendências globais de longo prazo têm impactado as análises do Banco Central.

Entre esses fatores, a incerteza em torno da inteligência artificial, dividida entre vertentes que a enxergam como inflacionária no curto prazo – devido à forte pressão de investimentos e custos operacionais – e visões de longo prazo focado nos ganhos de produtividade. 

A recente alta nos preços do petróleo tem sido acompanhada de perto e, embora o Brasil esteja relativamente mais protegido por ser um exportador líquido de energia, o BC segue atento à potencialização dos "efeitos de segunda ordem", disse o presidente da autarquia.

Em uma economia com mercado de trabalho e demanda aquecidos, na visão de Galípolo, choques temporários de oferta têm maior facilidade para contaminar as expectativas de inflação, reforçando a necessidade de manter a taxa de juros elevada por mais tempo para garantir a ancoragem até 2028. (Com CNN - SP)

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