A polarização entre PT e PL também aparece na Justiça Eleitoral. As duas siglas lideram o número de denúncias apresentadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2026.
Levantamento feito pelo Metrópoles mostra que, até sexta-feira (26/6), a Corte Eleitoral havia registrado ao menos 141 denúncias em 2026. Desse total, cerca de 86% foram registradas pelo PT e o PL.
Na comparação entre os dois partidos, os números são praticamente idênticos: o PL protocolou 61 representações, enquanto o PT apresentou 60. As denúncias tratam sobre pesquisas eleitorais, propaganda e impulsionamento irregular e o uso de inteligência artificial (IA).
PL e PT trocam acusações
Na maior parte das denúncias, os partidos dos dois principais candidatos à Presidência da República trocam acusações. Das ações do PL, mostram os dados disponibilizados pelo TSE, oito delas citam diretamente o presidente Lula. Nos demais casos, a legenda mira parlamentares e militantes do partido, ou pessoas ligadas ao mandatário petista.
Em um dos casos apreciados pela Corte Eleitoral, o PL acusa os deputados Lindbergh Farias (PT) e Rogério Correia (PT) de publicarem imagens que relacionam Flávio Bolsonaro ao crime organizado. Na montagem, os parlamentares afirmam que “A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico“.
No caso, o ministro responsável, André Mendonça, reconheceu que, embora críticas políticas sejam permitidas, atribuir pré-candidato ao crime organizado sem prova mínima, em contexto eleitoral, não é protegido pela liberdade de expressão e pode configurar propaganda eleitoral negativa antecipada. Com isso, o magistrado determinou a remoção do conteúdo das redes.
Do outro lado, das 60 ações protocoladas pela federação do PT, 18 citam Flávio Bolsonaro. Um dos casos analisados pela Corte mira vídeo postado pelo pré-candidato do PL à Presidência que chamou Lula de “o maior mentiroso que este Brasil já viu”. Na publicação, Flávio também afirma que Lula teria ido aos Estados Unidos “fazer lobby para bandido”.
Na representação, a federação alegou que as declarações eram falsas e tinham potencial para enganar o eleitorado. O caso foi analisado por Nunes Marques que entendeu que, ainda que as declarações tenham sido “duras e desfavoráveis” a Lula, elas configuram crítica política protegida pela liberdade de expressão.
Rejeitada a alegação que a publicação representava propaganda eleitoral negativa baseada em fatos sabidamente falsos, a liminar apresentada pelo PT foi negada e o vídeo permaneceu no ar. (A reportagem é do portal Metrópoles)
