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Política

Com salário de R$ 3 mil, ex-assessor de Hugo Motta movimentou R$ 3 milhões

Além da atuação na Câmara dos Deputados do Brasil, ele também foi dirigente da Conafer

Conjuntura Online
02/03/26 às 14h26
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O presidente da Câmara, Hugo Motta. (Foto: Reprodução)

Um ex-assessor do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), movimentou R$ 3,1 milhões em um período de seis meses enquanto estava lotado no gabinete do parlamentar. À época, o salário líquido mensal era de R$ 3,3 mil.

O ex-servidor é Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Peixe.

Além da atuação na Câmara dos Deputados do Brasil, ele também foi dirigente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil), entidade investigada por descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social.

Entre outubro de 2020 e março de 2021, período em que trabalhava no gabinete de Motta, Júnior recebeu R$ 1.590.678,81 de terceiros e transferiu R$ 1.573.766,84 para outras contas. O total movimentado chegou a R$ 3,1 milhões.

As informações foram encaminhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS e divulgadas em reportagem do portal Metrópoles, na coluna de Andreza Matais e André Shalders.

Entidade investigada

A Conafer está entre as associações investigadas no escândalo envolvendo o INSS. De 2022 a 2025, a entidade arrecadou quase R$ 800 milhões por meio de descontos aplicados a aposentados. Segundo a Polícia Federal, aproximadamente 90% desse montante teria sido direcionado a empresas de fachada.

Cargo e explicações

Na Câmara, Júnior ocupava o cargo de secretário parlamentar 5, um dos níveis mais baixos da estrutura da Casa, com remuneração líquida de R$ 3,3 mil mensais — valor considerado incompatível com a movimentação financeira registrada no período.

Em maio de 2025, ele publicou nota no Instagram afirmando que “não mantinha qualquer vínculo” com a Conafer enquanto trabalhava no gabinete de Motta e que passou a atuar na entidade apenas depois de deixar o cargo.

Segundo o comunicado, pediu exoneração “em conformidade com a legislação vigente e visando a evitar o acúmulo de cargos públicos”, para assumir a diretoria de políticas públicas da associação. (Com agências nacionais)

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