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Política

Alems repudia ataques machistas à árbitra Daiane Muniz em São Paulo 

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro (PP), apresentou moção de apoio e congratulação à árbitra sul-mato-grossense.

Conjuntura Online
24/02/26 às 14h27
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Daiane Muniz sofreu ataques machistas após apitar jogo em SP. (Foto: Divulgação)
Gerson Claro conversa com Gleice Jane no plenário da Alems. (Foto: Luciana Nassar)

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro (PP), apresentou moção de apoio e congratulação à árbitra sul-mato-grossense Daiane Caroline Muniz dos Santos, de Três Lagoas, após os ataques machistas sofridos durante e após a partida entre Red Bull Bragantino e São Paulo Futebol Clube, válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista, realizada no sábado (21).

Em sua fala, Gerson Claro destacou que Daiane foi alvo de declarações que colocaram em dúvida sua capacidade profissional exclusivamente por ser mulher, classificando a postura como incompatível com o esporte e com a sociedade atual.

O parlamentar mencionou que a crítica do zagueiro Gustavo Marques, feita durante coletiva após o jogo, ultrapassa o campo esportivo e revela traços do machismo ainda presente na cultura brasileira.

Segundo ele, episódios como esse integram um ciclo de violência que, quando naturalizado, pode abrir espaço para agressões mais graves. “O problema é cultural. Começa com gestos de violência simbólica, que depois evoluem para agressões e até feminicídio. A sociedade cobrar uma postura diferente já mostra que estamos no caminho da mudança”, afirmou.

Gerson ressaltou ainda que a Assembleia continuará atuando em defesa da igualdade. “Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na arbitragem. E esta Casa sempre fará essa defesa”, declarou.

A moção será encaminhada ao presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos, e ao presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Samir de Araújo Xaud.

Erro do jogador

A deputada Gleice Jane também apresentou moção de apoio à árbitra, destacando sua trajetória marcada por competência técnica, preparo e reconhecimento nacional e internacional.

Ela afirmou que Daiane foi julgada de forma injusta, sendo responsabilizada por um lance em que, segundo sua avaliação, houve interpretação equivocada do próprio atleta. “Vimos a Daiane sendo julgada por um erro do jogador. Os homens erram e a culpa é das mulheres”, criticou.

Durante o pronunciamento, Gleice Jane citou outros episódios que, segundo ela, refletem comportamentos misóginos no país, incluindo decisões judiciais e situações de violência simbólica contra mulheres. A parlamentar defendeu uma postura mais firme das instituições. “É um comportamento de sociedade que legitima a misoginia e o machismo e que não se dispõe a enfrentar essas situações. Precisamos de um Estado e de uma sociedade que enxerguem as mulheres e parem de manifestar ódio contra elas”, declarou.

Entenda o caso

A árbitra Daiane Muniz, de 37 anos, comandou a partida entre Bragantino e São Paulo no último sábado (21), no Estádio Cícero Souza Marques, em Bragança Paulista (SP). O confronto terminou em 2 a 1 para o time tricolor.

Nos minutos finais, após disputa de bola na área envolvendo Juninho Capixaba e Bobadilla, Daiane entendeu que houve contato normal e não marcou pênalti para o Bragantino, o que gerou reclamações da equipe.

Após o jogo, o zagueiro Gustavo Marques declarou que a árbitra “não teria capacidade” para apitar uma partida daquele nível, insinuando que o fato de ser mulher a tornaria inadequada para jogos de grande visibilidade.

A Federação Paulista de Futebol informou que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva para análise das declarações do atleta.

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