O Irã não estava a dias ou semanas de produzir uma arma nuclear, afirmou à CNN o diretor da agência de fiscalização nuclear das Nações Unidas, contradizendo a alegação dos Estados Unidos de que o país representava uma ameaça nuclear iminente.
Questionado pela jornalista Becky Anderson se “os iranianos estavam a dias ou semanas de construir uma bomba”, Rafael Grossi respondeu: “Não.”
Segundo Grossi, os ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura nuclear iraniana em junho passado causaram danos “consideráveis”. Como resultado, o programa nuclear de Teerã ficou “muito lento… talvez possamos dizer congelado, se não quase interrompido”, afirmou.
Havia “muitos elementos” no Irã que eram “motivo de séria preocupação”, disse ele, incluindo o “acúmulo injustificado de grandes quantidades de material quase de grau militar” e a “falta de transparência nas inspeções”.
Apesar disso, “nunca tivemos informações que indicassem a existência de um programa estruturado e sistemático para construir ou fabricar uma arma nuclear”, declarou.
“Precisamos equilibrar as duas coisas. Sim, havia muitos motivos de preocupação, mas não se tratava de uma bomba para amanhã ou depois de amanhã”, acrescentou Grossi.
Os Estados Unidos e Israel “podem ter tido a impressão de que todas essas atividades estavam direcionadas direta e imediatamente à fabricação de uma arma nuclear”, continuou.
“Nós, da International Atomic Energy Agency, não estamos no negócio de julgar intenções”, disse Grossi. “Sim, havia razões para preocupação. Mas esses prazos são talvez um pouco subjetivos.”
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.
O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.
Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".
Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As agressões entre as partes seguem neste domingo.
Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar "ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!". (Com CNN)
