O MDB de Mato Grosso do Sul formalizou posição contrária a qualquer composição com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e encaminhou ao diretório nacional um documento que veta a participação do partido na eventual vice-presidência da chapa petista.
Ao todo, 16 diretórios estaduais subscreveram o texto, movimento que atinge diretamente a ministra do Planejamento e Orçamento e ex-prefeita de Três Lagoas (MS), Simone Tebet (MDB), apontada nos bastidores como possível vice ao lado de outros nomes cotados, como o do ministro Renan Filho, conforme reportagem do portal de notícias InvestigaMS.
A iniciativa da ala sul-mato-grossense reforça um distanciamento político que já vinha sendo sinalizado internamente.
Lideranças estaduais argumentam que não aceitam vincular o partido a um governo que enfrenta sucessivos desgastes provocados por denúncias e investigações em curso.
Entre os episódios citados por emedebistas estão as apurações sobre o roudo de R$ 6,3 bilhões das contas de aposentados e pensionistas do INSS, além da corrupção envolvendo o Banco Master — temas que motivaram a instalação de uma CPMI no Congresso Nacional e de uma CPI no Senado para investigar responsabilidades e eventuais falhas de fiscalização.
Nos bastidores, dirigentes do MDB-MS afirmam que a decisão não é apenas eleitoral, mas também de coerência política.
Simone Tebet, que em eleições anteriores fez críticas contundentes a casos de corrupção associados ao PT, acabou integrando o governo Lula após o pleito. Essa mudança de postura é vista por parte da base estadual como um fator de desconforto interno, ampliando a resistência à hipótese de uma aliança formal.
Com o veto oficializado, a permanência de Simone no MDB passa a depender de uma equação delicada. Uma eventual candidatura ao Senado por São Paulo exigiria mudança partidária ou de domicílio eleitoral até o prazo legal de 4 de abril.
Há especulações de que o PSB poderia ser o destino mais provável, caso ela opte por disputar no maior colégio eleitoral do país, reforçando a estratégia nacional do presidente.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário também não é simples. Embora o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, já tenha declarado que a ministra teria legenda garantida se quisesse disputar o Senado no Estado, o diretório regional demonstra resistência a uma campanha alinhada ao Palácio do Planalto.
Deputados estaduais e federais da sigla já sinalizaram que poderiam rever sua permanência no partido caso Simone consolide uma candidatura vinculada a Lula.
Diante do novo posicionamento formal do MDB-MS, o espaço político da ministra dentro da legenda se estreita. O movimento dos diretórios estaduais amplia a pressão interna e coloca Simone Tebet diante de uma decisão estratégica que poderá redefinir seu futuro partidário e eleitoral.
