O primeiro ciclone extratropical de 2026 já tem data para atingir o Brasil. O sistema, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Metereologia), deve se formar entre o sábado e o domingo, com maior atuação prevista para o domingo, trazendo impactos principalmente para a Região Sul do Brasil.
Em entrevista à Globo Rural, Tatyane Paz, metereologista do instituto, afirma se tratar de um sistema de curta duração, mas com potencial de provocar chuvas intensas, ventos fortes e tempestades severas em áreas específicas, como no litoral Sul gaúcho.
De acordo com Tatyane, a intensidade do ciclone é avaliada pela diferença de pressão atmosférica entre o centro do sistema e seu entorno, além da resposta da velocidade dos ventos em superfície. Para este evento, há previsão de intensidade moderada. "Os dias 10 e 11 concentram o período de maior intensidade, com possibilidade de tempestades severas, chuva expressiva, granizo e rajadas de vento fortes", alerta.
Comum no verão graças à combinação de calor, umidade e dinâmica atmosférica, os ciclones extratropicais são comuns no Brasil, principalmente no Sul, onde as regiões são naturalmente favoráveis à ciclogênese.
A meteorologista Isadora Pierdoná, da METOS, explica que este é um ciclone extratropical típico da estação, com menor participação de ar frio quando comparado aos sistemas de inverno. “Por isso, ele tende a ser menos intenso, mas ainda assim pode causar tempo severo”, afirma.
Segundo a especialista, os ventos devem variar entre 50 e 70 km/h na maior parte das áreas afetadas, com rajadas mais fortes no extremo sul do Rio Grande do Sul. Isadora também destaca a expectativa de chuvas fortes, com acumulados que podem atingir 100 mm em pontos isolados, especialmente entre o sul e o centro do estado.
Rota do Ciclone e efeitos no clima
Sobre a trajetória do sistema, a previsão indica que a organização do centro de baixa pressão começa na sexta-feira (09/01), entre o norte da Argentina e a fronteira oeste do Rio Grande do Sul. No sábado (10/01), o ciclone se intensifica entre o noroeste do Uruguai e a Campanha gaúcha. Já no domingo (11/01), o sistema avança em direção ao oceano Atlântico, posicionando-se entre a costa da Argentina e o litoral sul do Rio Grande do Sul, iniciando seu afastamento gradual.
Com o deslocamento do ciclone, as instabilidades migram do Rio Grande do Sul para Santa Catarina e Paraná, devido ao avanço da frente fria associada ao sistema. “O sistema se desloca de sul para norte, levando a chuva severa primeiro ao Rio Grande do Sul e, depois, aos demais estados”, explica Paz. No dia 13, o ciclone tende a se afastar, restando apenas chuvas menos expressivas entre o Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Isadora Pierdoná acrescenta que, em Santa Catarina e no Paraná, o tempo instável persiste até o início da semana, principalmente na faixa oeste, com queda acentuada das temperaturas após a passagem da frente fria. No Mato Grosso do Sul, as chuvas mais fortes devem se concentrar no sudoeste e sul do estado, enquanto em São Paulo os efeitos serão mais indiretos, com rajadas de vento entre 50 e 70 km/h, sobretudo no litoral (Com Globo Rural - SP)
