Conjuntura - o 1º Site Político de MS
O 1º site político de Mato Grosso do Sul | Sexta-feira, 06 de março de 2026
Geral

Para Padilha, remédios contra obesidade têm preços abusivos

Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Saúde Alexandre Padilha fala dos próximos passos do governo depois da queda da patente da semaglutida, o princípio ativo do Ozempic

Conjuntura Online
06/03/26 às 09h51
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Alexandre Padilha, ministro da Saúde (Foto: Cristiano Mariz)

O Brasil, um país acima do peso, aguarda com ansiedade a expiração este mês da patente da “alma” das canetas emagrecedoras, a semaglutida transcutânea (Ozempic/Wegovy), o que, se espera, levará a drogas menos caras.

O Ministério da Saúde avalia formas de ampliar o acesso aos medicamentos, mas o ministro Alexandre Padilha enfatiza que isso é só parte das políticas públicas necessárias para enfrentar a epidemia de obesidade.

O ministério trabalha com três eixos. O primeiro é a política de prevenção na estratégia “Viva Mais Brasil”; o segundo, a produção nacional e domínio de tecnologia desses remédios; e o terceiro, a implantação da semaglutida no SUS.

Alexandre Padilha revela que o ministério estuda formas de implantar no SUS programas com semaglutida (princípio ativo das canetas), para grupos específicos de pacientes.

Segundo ele, o Grupo Hospitalar Conceição, sediado em Porto Alegre e vinculado ao Ministério da Saúde, elabora um protocolo para um tipo restrito de paciente ter acesso aos medicamentos baseados em semaglutida pelo SUS. Não há nada definido, mas o ministro antecipa que seriam pacientes com obesidade avançada, comorbidades e que estão, por exemplo, na fila para a cirurgia bariátrica.

— Estamos começando a avaliar um protocolo específico para a semaglutida no Rio Grande do Sul — diz ele.

Outro exemplo de grupo de paciente que seria potencialmente elegível para ser tratado no SUS com as drogas baseadas em semaglutida são aqueles que já recebem orientação clínica e psicológica preparatória para bariátrica e os que sofrem de doenças graves relacionadas à obesidade. Atualmente, nenhum medicamento para controle de peso — com ou sem semaglutida — está disponível no SUS.

Outra estratégia do governo federal em curso é o estímulo à produção nacional dessa nova classe de remédios. Isso é feito por meio de um edital da Anvisa específico para a produção de peptídeos sintéticos. O edital dá prioridade de registro para a liraglutida e a semaglutida, ambas para controle do peso e da diabetes.

Segundo Alexandre Padilha, o Ministério da Saúde quer que o Brasil domine a tecnologia de produção de peptídeos (a grosso modo, pequenas proteínas), que são a base das canetas para emagrecer.

É consenso entre especialistas ser inviável para o sistema público de qualquer país proporcionar amplo acesso a canetas e similares. O motivo é simples. O excesso de peso virou regra e não exceção. E o custo desses remédios é elevadíssimo.

O percentual da população brasileira adulta com excesso de peso cresceu de 42,6% em 2006 para 62,6%, em 2024, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, o Vigitel.

Já a obesidade (IMC maior que 30), passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Por trás do problema está, sobretudo, a alimentação com base em ultraprocessados.

— Os medicamentos podem ter um papel no enfrentamento da obesidade. Mas os preços são abusivos. É um desafio em todo o mundo. Queremos que laboratórios públicos e empresas nacionais dominem essa tecnologia, uma plataforma não somente para remédios contra a obesidade, mas também para doenças como, por exemplo, câncer. Estamos facilitando o caminho para que empresas produzam aqui liraglutida e semaglutida. Quanto mais empresas, maior a concorrência e menor o preço — diz Alexandre Padilha.

Já há 14 empresas com pedidos em análise pela Anvisa. E, de acordo com o ministro, três empresas brasileiras assinaram parcerias com empresas indianas para a produção de peptídeos sintéticos.

— Acredito que vamos conseguir derrubar os preços e tornar esses remédios mais acessíveis — diz o ministro.

Mas o ministro destaca ser fundamental encarar a obesidade como problema de saúde pública grave e não como questão estética.

— É preciso uma resposta integrada a um problema complexo e associado a doenças cardiovasculares e câncer, por exemplo. Não se trata só de acesso a medicamentos — afirma o ministro.

Ele salienta que é preciso, sobretudo, prevenir a obesidade, evitar que as pessoas ganhem peso em excesso e isso é feito com políticas integradas, não se resume a remédios.

O ministro sublinha a prioridade da estratégia “Viva Mais Brasil”. Ela foi lançada pelo Ministério da Saúde em janeiro, com um investimento de R$ 340 milhões e foco na promoção da alimentação saudável e da atividade física, por meio da atenção primária.

— Nesse sentido, a taxação de bebidas açucaradas e a redução de impostos da cesta básica saudável é importantíssima. Assim como banir ultraprocessados da alimentação escolar. As cidades que fizeram isso viram cair o número de crianças e jovens obesos — enfatiza Alexandre Padilha.

A estratégia do Ministério da Saúde repassará aos municípios recursos para investir em academias da saúde, vinculadas à atenção primária.

— O Rio de Janeiro tem uma experiência consolidada nesse sentido e bons resultados na redução da necessidade de drogas para diabetes, por exemplo — finaliza Padilha. (Com O Globo)

Últimas em Geral
VER TODAS AS NOTÍCIAS
Conjuntura - o 1º Site Político de MS
O 1º site político de Mato Grosso do Sul
Conjuntura Online - Copyright © 2004-2026. Todos os direitos reservados.