A cúpula da Santa Casa de Campo Grande foi parar na mira da Justiça nesta sexta-feira (11). A diretora-presidente do hospital, Alir Terra Lima, e integrantes da direção foram presos durante a Operação Antidotum, que investiga um esquema de supostos desvios envolvendo contratos da instituição.
O prejuízo apontado até agora chega a pelo menos R$ 4,9 milhões.
Além de Alir, foram presos Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; Rinaldo Romano, diretor administrativo-financeiro; Paulo Guilherme Gutierre Mariosa, diretor de Finanças Adjunto; Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística; e o empresário Mauricio Aparecido Benites.
A operação é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ligados ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Contrato de prontuários entrou na mira
Uma das frentes da investigação envolve um contrato para digitalização de prontuários médicos da Santa Casa. O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, chegando a R$ 5,4 milhões.
Segundo o MPMS, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido desviado somente no primeiro ano do contrato.
As apurações avançaram e chegaram também à Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. Nesse caso, o Ministério Público calcula prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões relacionado a pagamentos feitos a empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.
Os investigadores apontam que essas empresas teriam ligação com integrantes da diretoria da Santa Casa e estariam registradas no mesmo endereço. No local indicado, porém, teria sido encontrado um imóvel desocupado.
Somente em 2025, conforme a investigação, a Operadora Santa Casa Saúde teria repassado aproximadamente R$ 9,6 milhões às empresas investigadas. O MPMS ainda calcula o tamanho total do possível prejuízo, que pode superar os R$ 4,9 milhões já identificados.
Hospital mantém atendimento
Mesmo com a operação e as prisões, a Santa Casa informou que atendimentos, assistência aos pacientes e visitas continuam normalmente.
A instituição é uma das principais referências hospitalares de Mato Grosso do Sul, atende pacientes de diferentes municípios e concentra serviços de média e alta complexidade, inclusive pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A Operação Antidotum também teve apoio do Batalhão de Choque da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) e acompanhamento da CDA (Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados) da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul).
As investigações continuam para identificar o destino dos recursos e dimensionar o eventual prejuízo causado pelos contratos sob suspeita.
