Após a leitura da sentença pela juíza Elizabeth Louro, o promotor Fábio Vieira afirmou, ainda na madrugada desta quinta-feira, que o Ministério Público do Rio discorda do resultado que levou Monique Medeiros a não ser condenada pela morte de Henry Borel. Segundo ele, a questão deverá ser discutida em recurso.
Segundo o promotor, a acusação defendia que Monique deveria ser responsabilizada também pela morte do filho.
— Numa primeira quesitação, Monique foi responsável pela morte dolosa do Henry, então ela teria que ser condenada também pela morte dolosa — afirmou Vieira.
O promotor informou ainda que a defesa contestou esse entendimento durante o julgamento e que a votação retornou aos jurados. Na avaliação do Ministério Público, isso não deveria ter ocorrido.
— A defesa se insurgiu contra isso e a votação voltou. Na nossa visão, não deveria ter voltado. Essa é uma outra questão onde vai existir recurso e juridicamente isso vai ser resolvido — declarou Vieira.
Ao comentar o desfecho do julgamento, o promotor afirmou que a condenação de Jairinho pela morte da criança e a responsabilização de Monique por outros crimes encerram uma etapa do caso. Vieira também destacou que Monique foi considerada culpada por não ter protegido o filho e por fatos anteriores à morte da criança.
— Mesmo que tenha tido culpa por não ter prestado atenção no filho e, algumas semanas antes, ter sido responsável também por uma tortura com o filho, a partir daí as coisas continuam a andar — afirmou.
O promotor ressaltou que a discussão jurídica sobre a responsabilização de Monique pela morte de Henry ainda não está encerrada e deverá ser objeto de recurso por parte do Ministério Público.
Júri durou mais de uma semana
Após dez dias de julgamento, o 2º Tribunal do Júri do Rio condenou, na madrugada desta quinta-feira, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo pela morte de Henry Borel. A pena total foi fixada em 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão.
Já Monique Medeiros, mãe do menino, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados. O Conselho de Sentença entendeu que houve negligência em sua conduta, reconhecendo a prática de homicídio culposo. Apesar disso, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial pelo crime. Monique também foi condenada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. A sentença foi lida por volta de 1h da manhã. (Com O Globo)
