Uma rotina de ostentação nas redes sociais, venda de iPhones e cobranças que teriam chegado a envolver armas de fogo está no centro de uma investigação da PF (Polícia Federal) contra um grupo suspeito de movimentar cerca de R$ 10 milhões em Campo Grande.
De acordo com reportagem do G1, Vitor Baptista Borges Neto e Luciano Henrique de Almeida foram presos preventivamente nesta quarta-feira (9), durante a Operação Nexum.
Jefferson Pereira da Silva, também investigado, não foi preso, mas terá de usar tornozeleira eletrônica e cumprir outras medidas cautelares.
De acordo com a PF, o esquema funcionava a partir da entrada irregular de iPhones e eletrodomésticos trazidos do Paraguai. Os produtos eram revendidos de maneira informal, parcelados e com cobrança de juros, sem emissão de nota fiscal e fora dos meios tradicionais de pagamento.
Vitor seria responsável pela divulgação e pelas vendas nas redes sociais. Além dos eletrônicos, ele exibia viagens, bens e uma rotina de luxo. Em uma das publicações, chegou a anunciar quase meio milhão de reais em produtos para atrair compradores antes do Natal.
O problema começava quando clientes deixavam de pagar as parcelas. A investigação aponta que o grupo mantinha um controle próprio das dívidas, retomava mercadorias e fazia cobranças pessoalmente ou por mensagens.
Segundo a PF, algumas dessas cobranças teriam evoluído para ameaças e intimidações com armas de fogo. A apuração encontrou, inclusive, registros de disparos que teriam sido feitos para coagir devedores.
A defesa de Vitor e Luciano informou que ainda não teve acesso aos autos. A defesa de Jefferson não foi localizada.
Operação Nexum
A Justiça Federal autorizou 12 mandados de busca e apreensão e duas prisões preventivas, todos cumpridos em Campo Grande. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal da Capital.
Jefferson, além do monitoramento eletrônico, está proibido de frequentar a região de fronteira e de manter contato com os demais investigados.
A PF também apura indícios de outros crimes ligados ao grupo, como empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de dinheiro.
Justiça bloqueia bens e valores
A Justiça determinou ainda o bloqueio de patrimônio e ativos financeiros ligados aos investigados e às empresas relacionadas ao esquema, até o limite de R$ 10 milhões.
Quatro veículos também tiveram o sequestro autorizado, enquanto três empresas apontadas como parte da estrutura investigada tiveram as atividades suspensas.
