Um delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul é suspeito de participar de um esquema que desviou aproximadamente duas toneladas de cocaína apreendidas pela polícia, gerando pelo menos R$ 15 milhões em lucros. Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que atuou no combate ao narcotráfico, é investigado pela PF (Polícia Federal) por supostamente abastecer uma organização criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
O esquema, segundo o G1, foi identificado durante a Operação Ifrit, deflagrada nesta quarta-feira (4), em sete estados.
Segundo as investigações, o delegado teria facilitado o acesso de criminosos ao depósito da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), em Campo Grande, onde estavam armazenadas drogas apreendidas.
A cocaína era retirada e substituída por uma mistura de amido de milho, fermento e pequenas quantidades do entorpecente. O material adulterado era posteriormente encaminhado para destruição, enquanto a droga original retornava ao mercado ilegal.
A PF estima que cada quilo desviado era vendido por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil. Entre os bens investigados estão uma mansão em condomínio de luxo em Campo Grande, um sítio em Goiás e veículos.
Organização movimentou R$ 500 milhões
A operação também investiga uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos, com atuação na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. O grupo é suspeito de tráfico de drogas e armas, sequestros, torturas e homicídios.
Ao todo, foram expedidos 25 mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária e 76 de busca e apreensão, além do afastamento de três policiais civis.
Hoffman já estava preso desde setembro, quando foi alvo da Operação Infiltrados, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A defesa informou que aguarda acesso integral às provas para se manifestar sobre as novas acusações.
