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Brasil tem 64 milhões sem educação básica completa e EJA atende apenas 1,5%

Levantamento mostra que 37,3% dos brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram os estudos; renda desse grupo é quase metade da registrada entre quem terminou a educação básica.

Conjuntura Online
30/10/26 às 07h33
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EJA atende apenas 1,5% do total. (Foto: Reprodução)

O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que estão fora da escola sem ter concluído a educação básica.

O número representa 37,3% da população nessa faixa etária, segundo levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, elaborado a partir de informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e de registros educacionais.

Apesar do elevado número de brasileiros que não terminaram os estudos, a EJA (Educação de Jovens e Adultos), modalidade destinada a quem não concluiu a escolarização na idade regular, atende apenas 1,5% desse público potencial.

Entre as pessoas identificadas no levantamento, 44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental, o equivalente a aproximadamente 70% do total. Outras 19,3 milhões terminaram essa etapa, mas interromperam os estudos antes de concluir o ensino médio.

O estudo foi elaborado com participação das fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, além de apoio técnico de pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Baixa escolaridade compromete renda e emprego

A pesquisa mostra que a falta de formação escolar está associada a diferenças expressivas de renda e de acesso ao mercado formal de trabalho.

Entre os brasileiros que não concluíram a educação básica, a renda domiciliar mensal por pessoa é de R$ 1.427. Já entre aqueles que terminaram os estudos, o valor chega a R$ 2.777. A diferença é de 48,6%, ou seja, o primeiro grupo recebe pouco mais da metade da renda do segundo.

A taxa de pobreza também é 1,8 vez maior entre as pessoas sem escolaridade básica completa.

No mercado de trabalho, apenas 38,4% dos ocupados que não concluíram o ensino fundamental possuem emprego formal. Entre os trabalhadores com ensino médio completo, esse percentual sobe para 65%.

Trabalho e responsabilidades familiares dificultam retorno à escola

O levantamento aponta que a necessidade de trabalhar é um dos principais obstáculos para a continuidade dos estudos. Entre os homens de 15 a 29 anos que não concluíram a formação escolar, 53,9% apontaram o trabalho como motivo para abandonar a escola.

Entre as mulheres da mesma faixa etária, 34,9% citaram responsabilidades familiares e 22,9% mencionaram a gravidez como fatores relacionados à interrupção dos estudos.

As desigualdades também aparecem na distribuição da população sem formação completa. Pessoas pretas e pardas representam 63,9% desse grupo e correspondem a 76,8% das matrículas na EJA.

As regiões Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de brasileiros com escolaridade incompleta.

Conclusão dos estudos poderia movimentar R$ 66 bilhões por ano

O estudo estima que a conclusão da educação básica por 32,5 milhões de pessoas, metade do público potencial da EJA, poderia acrescentar R$ 66 bilhões anuais à economia brasileira.

Desse montante, R$ 43 bilhões viriam do aumento da remuneração de trabalhadores que já estão empregados, enquanto outros R$ 23 bilhões seriam resultado da entrada de novos profissionais no mercado de trabalho.

Embora o número de brasileiros fora da escola sem educação básica completa tenha diminuído 16% entre 2012 e 2025, os pesquisadores apontam que mais da metade dessa redução ocorreu devido à morte de pessoas de gerações mais antigas. A conclusão dos estudos pela EJA respondeu por apenas 8% da queda.

Para ampliar o alcance da modalidade, o levantamento recomenda horários escolares mais flexíveis, medidas que permitam conciliar trabalho e estudo, apoio às responsabilidades familiares e ações para incentivar o retorno de jovens e adultos às salas de aula. (Revista Oeste)

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